Inflamando revolta
em batalhas virtuais,
ninguém se rebela
de fato, ou se mobiliza.
contra o sistema
apenas postagens,
nestas pastagens
em altas paragens,
nas paisagens
devastadas,
falta conteúdo,
sobram margens.
nossa passividade
diante de tudo,
injustiças desfilam,
sufocam a todos.
chuva e sol
ainda existem,
céu e sal.
véu e névoa
assim persistem,
sopro e crise.
beleza e doçura,
há criaturas que
ainda exibem.
nada nunca será
para você,
o que particularmente
foi para mim.
alguns precisam cair,
para só então aprender
a se levantar.
outros nascem da queda
e se mantém de pé,
o tempo todo, até o fim,
cause o que causar.
29/12/22
[Michel F.M. - Revolesia]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de outubro de 2026 05:37
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Morna Comoção na Terra das Chamas", escrito por Michel F.M. (do projeto Revolesia), é uma crítica social contemporânea que transita entre o desabafo existencial e a reflexão sobre o ativismo digital. O título já estabelece um paradoxo: a "morna comoção" (apatia, sentimento brando) ocorre em uma "Terra das Chamas" (um mundo caótico, urgente e em conflito). Abaixo está uma análise estruturada dos principais eixos temáticos e formais da obra: 1. Crítica ao Ativismo de Sofá e à Superficialidade Digital - As primeiras estrofes expõem o contraste entre a agressividade do ambiente virtual e a inércia do mundo real. • O "ativismo performático": O eu lírico aponta que as "batalhas virtuais" servem apenas para inflamar revoltas ilusórias, pois "ninguém se rebela de fato, ou se mobiliza". O protesto contra o sistema foi reduzido a "apenas postagens". • O vazio de significado: O jogo de palavras com rimas internas ("pastagens / paragens / paisagens / margens") constrói uma metáfora para as redes sociais. Elas são descritas como terrenos vastos ("pastagens"), mas estéreis e devastados, onde "falta conteúdo, sobram margens". Há muito espaço para aparências e pouco debate profundo. 2. Apatia Coletiva versus a Permanência da Natureza - No meio do poema, o foco muda da denúncia social para uma observação lírica do mundo físico. • A passividade humana: Diante das injustiças que "desfilam" cotidianamente, a sociedade desenvolveu uma casca de conformismo, gerando uma asfixia coletiva ("sufocam a todos"). • A resistência do mundo natural: Enquanto a humanidade se perde em telas e apatia, a natureza e a essência da vida continuam seu ciclo ("chuva e sol ainda existem, céu e sal"). Elementos ambíguos como o "véu", a "névoa" e a "crise" persistem, mas ainda há frestas de esperança: "beleza e doçura, há criaturas que ainda exibem". É um vislumbre de humanidade genuína que resiste ao caos. 3. Subjetividade e Resiliência (O Fechamento) - O tom do poema muda drasticamente nas estrofes finais, abandonando o plural ("nossa passividade") para adotar uma perspectiva íntima e de desenvolvimento pessoal. • A incomunicabilidade da experiência: O verso "nada nunca será para você, o que particularmente foi para mim" delimita a individualidade da dor, do aprendizado e da vivência. • A tipologia da resiliência: O poeta divide os indivíduos em dois grupos diante do sofrimento e do fracasso (representados pela "queda"): 1. Os que precisam errar e sofrer para evoluir ("precisam cair, para só então aprender a se levantar"). 2. Os que já nascem forjados pela adversidade ("nascem da queda"). Estes mantêm a integridade moral e a firmeza ideológica de forma inabalável ("se mantém de pé, o tempo todo, até o fim, cause o que causar"). Estrutura Formal e Estilo • Versificação: O poema utiliza versos livres e curtos, o que dita um ritmo dinâmico, quase como o fluxo de rolagem de uma rede social ou um fluxo de pensamento rápido. • Linguagem: Simples e direta, mas rica em assonâncias e aliterações (como em "céu e sal / véu e névoa"), o que garante musicalidade e força aos contrastes propostos. Resumo: O texto é um retrato do cansaço da era digital. Ele começa lamentando a falta de ação real de uma sociedade anestesiada por telas, passa pela constatação de que o mundo real e belo ainda resiste lá fora, e termina como um manifesto de resiliência psicológica e estoicismo diante das quedas da vida.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
- Em coleções: Revolesia (Volume Único).

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