Vejo de soslaio
Mais um amanhecer solitário
Só tenho um velho diário
Que anoto o conto do vigário
Que digo á mim mesmo todo dia.
Seria bom
Se as cartas que jogo á mesa
Se emparelhassem ao meu tom
E o meu grito soasse realmente bom
Para que só eu ouvisse quebrado
O grito de um vulcão de terra marrom
Que desmorona em meu peito quebrado
E com o café que agora bebo amargo
Unissem ao veneno que tem no mercado
E formasse um amanhecer tão bom
Mas o diabo é solitário
Assim como eu
E tornou ele este amanhecer um inferno
Já que agora eu fico eterno
Neste silêncio, que julgo ser bom
Mas me deixa inquieto
Como que pra nascer um desenvolvido feto
Que chorando vê um amor passageiro de manhã bem cedo
E não sabe o que é a solidão
Por que está mais leve que meu coração
Que ainda não cresceu,
Até cabe na mão
Mas por que digo esta variação?
Pergunto-me à mim aflito
Por que desloca-se sem motivo solito?
Por que de muralhas se cerca bem rápido?
E depois com o núcleo em conflito
Se sente agora com o peito aflito
A ansiedade que leva a razão em rapto
E leva também a minha solidão,
E me leva junto
Como um defunto
Sozinho em conjunto.
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Autor:
Guilherme_p (
Offline) - Publicado: 6 de outubro de 2026 05:29
- Comentário do autor sobre o poema: Momento dramático depois de perder várias partidas de xadrez consecutivas.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

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