se você tiver que ser admirado
pelo que você tem,
eu sinto dizer,
que você não tem nada,
nem
admiração.
diante da inundação caudalosa
de problemas sem solução,
deixe-os todos,
exatamente
onde
estão.
pois os problemas
continuarão abundantes,
mas aquele pôr-do-sol específico,
será único e acontecerá
uma única vez,
em nossa
frágil
condição.
10/12/22
[Michel F.M. - Revolesia]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de outubro de 2026 05:24
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Poder Encorpado de Nossa Frágil Condição" apresenta uma reflexão profunda e minimalista sobre o materialismo, a impotência humana diante das adversidades e a importância de valorizar o momento presente. Dividido em três estrofes, ele constrói uma transição que vai da crítica social à aceitação existencial. Aqui está uma análise detalhada dos principais temas e estruturas do poema: 1. Crítica ao Ter vs. Ser (Primeira Estrofe) - A abertura do poema estabelece um paradoxo sobre o valor humano e o materialismo. • O esvaziamento das posses: O eu lírico afirma categoricamente que, se a admiração que alguém recebe é baseada apenas em bens materiais ("pelo que você tem"), essa admiração é falsa. • A ausência real: Ao dizer "você não tem nada, nem admiração", o poema desconstrói a ilusão de poder que o status material traz, mostrando que o acúmulo de coisas esvazia o indivíduo de sua verdadeira essência e de conexões humanas genuínas. 2. A Entrega e o Desapego (Segunda Estrofe) - A segunda estrofe introduz a metáfora da "inundação caudalosa de problemas", ilustrando como a vida moderna ou a experiência humana pode ser avassaladora. • Reconhecimento da impotência: O eu lírico não oferece uma fórmula mágica para resolver as crises; pelo contrário, ele aceita que existem "problemas sem solução". • O ato de "deixar estar": O conselho de deixar os problemas "exatamente onde estão" não é um convite ao desleixo, mas sim um exercício de estoicismo e desapego. É o reconhecimento de que lutar contra o que não podemos controlar gera um desgaste inútil. 3. A Epifania do Momento Presente (Terceira Estrofe) - A última estrofe justifica o desapego proposto anteriormente, trazendo o clímax filosófico do texto. • Contraste entre o infinito e o efêmero: Os problemas são descritos como "abundantes" (eternos, sempre renováveis), enquanto as belezas da vida são finitas e singulares. • A unicidade da experiência: "Aquele pôr-do-sol específico" serve como um símbolo para o momento presente. O poema lembra o leitor de que a beleza e a vida acontecem no agora. Perder o presente se preocupando com o futuro ou com problemas insolúveis é um desperdício da nossa própria existência. • A "frágil condição": O encerramento retoma o título. Nossa fragilidade reside na nossa mortalidade e na nossa impermanência. No entanto, o "poder encorpado" do título nasce justamente quando abraçamos essa fragilidade e escolhemos contemplar o que é único, em vez de nos afogarmos no que é crônico. Estrutura e Estilo - • Versos Livres e Curtos: O uso de versos muito curtos (como "nem", "estão", "frágil") desacelera a leitura, forçando o leitor a pausar e digerir o peso de cada palavra. • Linguagem Acessível: O poema utiliza termos simples e diretos, aproximando-se de uma conversa franca ou de um conselho amigo, o que intensifica o seu impacto emocional. Em resumo, é uma bela lição sobre prioridades existenciais, sugerindo que a verdadeira riqueza não está no que acumulamos, e o verdadeiro poder não está em resolver tudo, mas sim na nossa capacidade de parar e apreciar a poesia do instante.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Samara A. Ferreira
- Em coleções: Revolesia (Volume Único).

Offline)
Comentários1
Gostei hão, vai ver que o que você escreveu, esta anos luz do meu raciocino, pois sendo um matuto, mecho muito com a natureza, plantas e animais e essa tal de reflexão e um veneno que não passa na minha goela.
Me desculpas Senhor Mestre poeta, mas não me enganando também não vos engano..
E mas o Senhor Mestre Poeta pode falar.
_ Eu não te perguntei nada.
Ai tenho que colocar minha mão em palmatorio e lembrar do ditado que diz, que porco por ser intrão, levou ferro no focinho.
Abraços.
Sr. Apegaua
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.