Que simples dizer
E ajustar palavras
Verbos sórdidos, prosa vazia
Já que não dizem
Não querem dizer
Nada dirão
Do que já é tudo
De tantas tangências
Lugares comuns
Em nossa mentes
Das nossas línguas
Ávidas, rápidas
Cansadas, que se querem
Entremear
O que me falta
Tão urgente, tão sagaz
É pouco, é ardil
Que me faço tolo
Febril, moribundo
Entre águas que concorrem
Num segundo
Um momento de paz
Um instante fugaz
Espaço cristalino
Onde tudo se reduz
Intacto, coeso
Onde nada se desfaz
Na necessidade
A pergunta se mostra
Quem serás tu
Quando eu lhe tocar
Hora exata em que morre
A razão em meu corpo
Do teu corpo
Não há volta
O que vou extrair?
Que forço a escrever
Deliberando, delirante
Arbitrando, nauseante
Um contorno claro
Opaco, devaneio
De um gozo
Em teu suspiro
Tenho pena
Que te quero objeta
Me faço objeto
Emplaco em teu gosto
Ilusão, minhas mãos
A se perder
Um ensaio entreposto
Novamente, é a pose
A dose, que me quer
Que nos quer
Belos, açorados
Num conceito
Acidentado
Só pode ser obra
De uma deidade
Que te faz beldade
Na minha queda
Do rugir da carne
Já rôta, mareada
Que te inoculo
Que suja te faço
Te lambo, desfaço
Alcalina, despedaço
Cada membro teu
Num quadro branco
Que te mesclo, aquarela
Obra-prima
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Autor:
Manoel Reid (Pseudónimo (
Online) - Publicado: 3 de outubro de 2026 18:33
- Categoria: Carta
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Pedro Viegas
- Em coleções: De Litteris Eroticis.

Online)
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