Minha vida não tem filtro, nem moldura reluzente,
é café frio na mesa e o cansaço da corrente.
Não tem pose calculada, nem sorriso encomendado,
há silêncio nos meus passos e um coração remendado.
Vejo o mundo na vitrine de um retrato artificial,
onde a dor troca de roupa para parecer especial.
Cada riso muito ensaiado, cada abraço em exposição,
como se amor precisasse de aplauso e aprovação.
Há quem venda a própria alma por curtidas passageiras,
coleciona falsas glórias nas vitrines costumeiras.
Transformaram a existência num teatro sem pudor,
onde a lágrima tem preço e a vaidade é o diretor.
Mostram praias, taças, corpos, céus pintados de emoção,
mas escondem tempestades abafadas no colchão.
Ninguém posta madrugada de tristeza e solidão,
nem o eco dos fracassos machucando o coração.
Minha vida não é foto com legenda magistral,
é batalha sem plateia, sobreviver ao temporal.
Não preciso de holofotes para o mundo me enxergar,
há verdades que florescem sem ninguém fotografar.
Prefiro a vida imperfeita, sem moldagem, sem roteiro,
ao sorriso fabricado de um sucesso estrangeiro.
Pois viver não é vitrine, nem disputa de atenção:
é carregar cicatrizes e ainda crer no coração.
Se a verdade hoje é rara nesse mundo digital,
que me chamem antiquado, sentimental, marginal.
Minha vida não é “instagranável”, nem pretende parecer:
é real e talvez nisso exista a coragem de viver.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 3 de outubro de 2026 09:23
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: willian rodrigues, Pedro Viegas, Michel F.M.

Offline)
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