Pela estrada, onde fingia saber a direção,
encontrei fiapos dourados, como caídos do sol.
Os enfiava no saco e seguia, seguia, seguia,
pensando que no fim encontraria um lugar para mim:
essa tal de utopia.
encontrei fiapos dourados, como caídos do sol.
Os enfiava no saco e seguia, seguia, seguia,
pensando que no fim encontraria um lugar para mim:
essa tal de utopia.
No fim das contas, cheguei a uma estalagem,
os fiapos eram apenas feno.
Chorando o dono me encontrou, me alimentou.
Foi-me oferecido o cocho,
e lá deitei a cabeça sobre o saco de fiapos de feno,
ao qual carinhosamente apelidei de utopia.
Hoje sou dono da estalagem, herdei-a.
Casei-me com a filha do falecido estalajadeiro,
os filhos brincam por aí, minha esposa faz perfumes,
e eu, no fim da tarde, tiro um belo cochilo deitado
sobre a minha utopia.
Isso quando não tenho que apartar alguma briga,
malditos viajantes bêbados,
não respeitam a hora da utopia alheia.
-
Autor:
F. Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 2 de outubro de 2026 09:32
- Comentário do autor sobre o poema: O extraordinário é encontrado justamente no ordinário aceito e habitado.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
- Em coleções: Naruteza.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.