O Travesseiro

Queiroz Francisco

Pela estrada, onde fingia saber a direção,
encontrei fiapos dourados, como caídos do sol.
Os enfiava no saco e seguia, seguia, seguia,
pensando que no fim encontraria um lugar para mim:
essa tal de utopia.

No fim das contas, cheguei a uma estalagem,
os fiapos eram apenas feno.
Chorando o dono me encontrou, me alimentou.

Foi-me oferecido o cocho,
e lá deitei a cabeça sobre o saco de fiapos de feno,
ao qual carinhosamente apelidei de utopia.

Hoje sou dono da estalagem, herdei-a.
Casei-me com a filha do falecido estalajadeiro,
os filhos brincam por aí, minha esposa faz perfumes,
e eu, no fim da tarde, tiro um belo cochilo deitado
sobre a minha utopia.

Isso quando não tenho que apartar alguma briga,
malditos viajantes bêbados,
não respeitam a hora da utopia alheia.
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Rapaz que utopia danada de porreta.
    Mas a pergunta que não para de perguntar?
    Onde o gato fantasma, entra nessa utopia?
    E velho de cima do telhado?
    Mistério.
    Apegaua

    • Queiroz Francisco

      Nessa utopia, o velho tem uma torre de vigia, com vinho, livros, sardinha e vitrola, e o Fantasma é valente e caçador de primeira... E você é meu vizinho de cerca, e o Esfomeado é parceiro de caça do Fantasma.

      Inté o próximo poema!



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