Céus de Lynch

Pedro Viegas

As nuvens hoje lembram costelas,
escamas, buchadas derramadas
num grande pote de azulada porcelana.


O zumbido do motor a cortar grama lembra um grande inseto em agonia.
As vozes dos meninos a bater bola logo são chamadas para suas tocas.


Este é mais um belo sábado de sonho em postas de carne acinzentada repousando num desencantado vinhadalho.


Tal é a rua sob o surrealismo desse céu.
Tal é o desconforto destas horas.


As nuvens são estranhas, parecem sugerir aos olhos
o que vem dentro das almas.

 

05/09/2026

  • Autor: Pedro Viegas (Offline Offline)
  • Publicado: 2 de outubro de 2026 07:51
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


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