Por mais perspicaz
Que fosse o titereiro,
Nem mesmo uma única
Vez, supôs que tal ocorrência
Acontecesse em tua custódia.
-
Imediatamente após
O rompimento dos fios,
Que a aprisionavam no cenário,
A marionete correu, fugindo
Consciente, de tua trágica paródia.
-
E correu tão rápido, que ficou
Surpresa consigo mesma,
Ao descobrir que havia nela
Tamanha articulação.
-
Finalmente escolhia
Teu próprio movimento,
Um caminho que nunca
Imaginara trilhar e no meio
Da encruzilhada, encontrou-se
-
Diante deles, fugitivos silenciosos,
Bonecos de ventríloquo, velhos amigos
De jornada encarcerada, agora soltos,
Num mundo inteiro de possibilidades,
Só para liberdade deviam satisfação.
-
[Michel F.M.]
Marionete que é feito de ti,
agora que cortaste o umbilical,
que tombaste a teus, e Seus pés?
Levantaste e andaste!
Agora,
tece tu os fios da teia,
e não te deixes aprisionar!
Corra, corra querida marionete!
Aproveite a vida fora do palco,
Pois os fios que te prendem
a este cenário
Se arrebentaram ao passo da liberdade.
Permita-se agora,
o cargo de bonequeiro de ti mesmo.
Somos fantoches nas mãos dos políticos
domados como querem
neste cenário da vida
sempre um contra todos
não adianta chorar nem espernear
não nos soltamos facilmente
é revoltante mas verdadeiro
é hora de caminhar com sabedoria
refletir na escolha para nos libertar
Siga sozinha, querida marionete
Faz teu caminho, sem linha ou cordão
Ganhe o mundo sem amarras e nós
Arrisque-se, descubra-se, siga seu coração.
A vida não é simples, doce marionete
Terás teus momentos de decepção
Mas o mais precioso é que ela te ensina
Que existe equilíbrio onde existe emoção.
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, ondavida amar, Andrômed@_, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Con Moisés
- Visível: Todos os versos
- Publicado: 2 de outubro de 2026 06:08
- Limite: 10 estrofes
- Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Revolta dos Fantoches" é uma potente alegoria sobre a libertação, o despertar da consciência e a busca pela autonomia individual diante de sistemas de controle. Através de metáforas do universo do teatro de bonecos, o texto explora a transição da passividade programada para o livre-arbítrio. Abaixo está uma análise detalhada dos principais aspectos e temas do poema: 1. A Metáfora do Controle (O Titereiro e os Fios) - Nas primeiras estrofes, o titereiro representa uma figura de autoridade, opressão ou o próprio destino manipulador. Ele é tido como "perspicaz", sugerindo que o sistema de controle é inteligente e aparentemente infalível. Os "fios" simbolizam as amarras invisíveis ou visíveis da sociedade — regras rígidas, expectativas alheias ou o determinismo — que forçam a marionete a encenar uma "trágica paródia" (uma vida artificial e sem propósito real). 2. O Despertar da Autonomia e o Autoconhecimento - O ponto de virada ocorre com o "rompimento dos fios". A fuga da marionete não é um ato impensado, mas um ato "consciente". • Descobrimento do potencial: Ao correr, ela fica "surpresa consigo mesma / Ao descobrir que havia nela / Tamanha articulação". Essa passagem é uma metáfora brilhante para o autoconhecimento: muitas vezes não temos noção da nossa própria força, capacidade e flexibilidade até decidirmos romper com o que nos prende. 3. A Encruzilhada e a Escolha - Ao escolher seu próprio movimento, a marionete atinge a emancipação, mas também se depara com a encruzilhada — o símbolo arquetípico da escolha, da dúvida e do peso da liberdade. Estar livre significa ter que decidir para onde ir, um caminho que ela "nunca imaginara trilhar". 4. A Coletividade da Libertação - Na última estrofe, o eu lírico expande a experiência individual para o coletivo. A marionete encontra outros fugitivos ("bonecos de ventríloquo, velhos amigos"). Isso demonstra que o desejo de liberdade é universal e que o isolamento ("jornada encarcerada") dá lugar à identificação mútua no "mundo inteiro de possibilidades". 5. Estrutura e Ritmo - O poema utiliza versos livres e uma linguagem direta, mas rica em imagens visuais. O ritmo acelera junto com a narrativa (a fuga do boneco) e desacelera na estrofe final, trazendo uma sensação de amplitude e alívio com a conquista da emancipação. O fechamento é categórico: "Só para liberdade deviam satisfação", decretando a quebra definitiva de qualquer submissão anterior.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 12
- Em coleções: Zumbido Coletivo.
