Eco de mim

ingridanjos

já não me sinto a mesma
não me vejo a mesma
não amo como amava
não sonho mais com tanta frequência
não choro como chorava

não me lembro como falava
é como se um ser adentrasse minhas tripas
e fizesse da minha alma um salão de festa
gritaria pra todo lado
todos os convidados dançando e se divertindo
um som tão alto que já não me escuto

juro que não me vejo
não me olho como antes
não me sento na cadeira como antes
não levanto como antes
não mais vivo como se amanhã o mundo fosse acabar

me falta algo, mas não sei dizer ao certo
esse sentimento que me tira de uma realidade sólida
e me puxa pro meu mais profundo eu
me vejo no reflexo da minha alma

é bom porque me vejo — mas não me sinto
ou sinto tanto que já não sei decifrar o que
não sei nomear esse labirinto
poderia ao menos saber sair

alguém me escuta?
alguém me vê?
tomo o eco como resposta

  • Autor: Ingrid Anjos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de outubro de 2026 15:42
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


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