Poesia-Vale-Tudo

Michel F.M.


Soquei três palavras chulas
Num verso sem pontuação
Estrofe imobilizada por estrangulamento
Desrima num fôlego [apagou]
Era nocaute técnico
[Michel F.M.]


Derrubado entre os pilar da percepção
grito abafado, reforço o pulso
tateando versos secos de gramática,
no tatame social —
poetizo.


Cuspo a sintaxe contra a lona,
rasgo o dicionário com os dentes,
cada vírgula é um corte mal fechado,
cada verbo, um soco
que ninguém viu partir.
A métrica tenta me prender
numa chave de braço,
mas escapo pela margem do verso,
quebro a guarda da forma
e volto a atacar.
No fim, não há vencedor.
Só um poema respirando por um triz,
estendido na página,
com a boca cheia de sangue
e nenhuma vontade de pedir desculpas.


Entro depois do último golpe,
não peço licença à lona,
nem procuro o árbitro.
Recolho do chão
uma vírgula partida,
um verbo ainda a sangrar,
três palavras chulas
que ninguém quis assumir.
Ponho-as de pé.
O poema olha para mim
com um olho fechado.
Eu digo:
continua.
E ele continua,
não porque venceu,
mas porque ainda respira.
Então entro no verso
e fecho a porta atrás de mim.
Agora somos dois
a apanhar da página
o que a linguagem deixou cair.
"Maisa Nalape"


Cuspo a sintaxe contra a lona,
rasgo o dicionário com os dentes,
cada vírgula é um corte mal fechado,
cada verbo, um soco
que ninguém viu partir.
A métrica tenta me prender
numa chave de braço,
mas escapo pela margem do verso,
quebro a guarda da forma
e volto a atacar.
No fim, não há vencedor.
Só um poema respirando por um triz,
estendido na página,
com a boca cheia de sangue
e nenhuma vontade de pedir desculpas.


Ringue das Rimas
Mas a luta não acabou,
Pois a reviravolta veio:
Frontal no verso mandou,
Depois de um jab, creio.
Poema no ringue cambaleou,
Ficando meio grogue... Veio?
Não era o seu dia, lascou!
Depois da voadora ao meio,
Num cruzado a lona beijou —
E o gongo soou então.
- Jorge E. Leal


Tantos tapas sem arranhões
socos de direita e esquerda
ajustando os padrões
da língua portuguesa
Vale tudo menos
baixar o nível
um nocaute nas palavras chulas
Toma daqui e toma dali
tudo pra vencer esse jogo
O que não pode é desistir


Poesia vale tudo, menos pedir licença para dizer a verdade.Menos ter formação para ser poeta.


Nesta arena de versos e de dor,
O punho fecha, a voz vem pra golpear.
No ringue da palavra sem temor,
O poema entra pronto pra lutar.
A dor e a força, o golpe, o impacto e o som.
A rima é soco, a métrica é pressão.
O ritmo acelera até o fim,
O poema é fera de solto estopim.
A carne cede ao choque do combate,
O peito arfa, a mente não se rende.
Não há esquiva que essa dor resgate,
Pois quem combate na alma tudo entende.
A dor e a força, o golpe, o impacto e o som.
A rima é soco, a métrica é pressão.
O ritmo acelera até o fim,
O poema é fera de solto estopim.
Sangue e suor na lona da sintaxe,
Gritos de ferro cortam o silêncio.
Na tempestade brutal dessa práxis,
Caem os fracos sem achar consenso.
A dor e a força, o golpe, o impacto e o som.
A rima é soco, a métrica é pressão.
O ritmo acelera até o fim,
O poema é fera de solto estopim.
Felicity_poeta

  • Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Noétrico, Tória, MAISA NALAPE , Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Nkifuani , FELICITY_POETA
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 1 de outubro de 2026 11:02
  • Limite: 15 estrofes
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  • Comentário do autor sobre o poema: O poema "Poesia-Vale-Tudo" utiliza a metáfora das artes marciais mistas (MMA/Vale-Tudo) para construir uma metalinguagem sobre o próprio ato de escrever poesia na contemporaneidade. Abaixo está uma análise detalhada dos seus principais aspectos estruturais e temáticos: 1. Temática e Metalinguagem - O tema central é a criação poética vista como um combate físico. O autor equipara o esforço de escrever versos à violência estética e técnica de uma luta. Há uma quebra proposital com a visão romântica ou acadêmica da poesia; aqui, o poema não nasce da inspiração suave, mas sim do confronto e da agressividade verbal. 2. Análise Linha a Linha (Vocabulário Técnico e Semântica) • "Soquei três palavras chulas": O verbo "socar" inicia a analogia com a luta. O uso de "palavras chulas" (palavrões ou termos de baixo calão) reforça a estética marginal ou contemporânea, que rejeita o vocabulário erudito tradicional. • "Num verso sem pontuação": Mostra a liberdade formal do poema. A ausência de pontuação mimetiza a velocidade de uma sequência de golpes, onde não há pausas para respirar. • "Estrofe imobilizada por estrangulamento": Utiliza termos do jiu-jitsu/vale-tudo ("estrangulamento"). A "estrofe imobilizada" sugere que a estrutura formal clássica foi vencida e contida pela força do poeta. • "Desrima num fôlego [apagou]": A "desrima" (ausência proposital de rimas) acontece de forma rápida ("num fôlego"). O uso do colchete com a palavra [apagou] simula o momento exato em que o oponente (ou o próprio fluxo do poema) perde a consciência no ringue. • "Era nocaute técnico": O encerramento com o termo "nocaute técnico" (quando o árbitro interrompe a luta por incapacidade de um dos lutadores) decreta o fim do poema. O poema venceu o leitor, ou o poeta venceu a própria linguagem. 3. Estrutura e Ritmo • Versos Livres e Brancos: O poema não possui métrica regular nem rimas (é uma "desrima"). • Concisão: O texto é direto, rápido e enérgico, simulando o dinamismo de um assalto de luta. A linguagem é predominantemente verbal e visual, focada na ação. Conclusão "Poesia-Vale-Tudo" é um excelente exemplo de poesia performática e moderna. Ele desconstrói o lirismo tradicional ao fundir o universo bruto do esporte de combate com a sensibilidade da escrita, provando que, na literatura contemporânea, "vale tudo" para expressar uma ideia.
  • Categoria: Reflexão
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  • Em coleções: Zumbido Coletivo.