Plantação de Aurora: O corvo e a Roseira.

Gabrielmaria

Plantação de Aurora: O Corvo e a Roseira 

 

Pés suplantados em terra molhada e vívida 

Machado afiado e apontado, atarracado em uma madeira antiga e dura

Uma lenha pronta para ser jogada ao fogo ardente

Foi-se mais um amanhecer, enevoado e tardio...

 

- Vós sois uma plantação viva, uma outrora memorável! [Corvo]

- Pegaste com afinco e ternura uma rosa plantada em meu jardim? [Roseira]

- Foi uma colheita e tanto! Contudo, não cheguei a pegar uma rosa... Me faltaste coragem e loucura... [Corvo]

 

Corvo: Uma força adiante segue meu peito inchado e caridoso 

Um leve som chega devagar, um calmante cavalgar 

Um olhar a maldar... cabelos a voar... corpo a tocar...

Linda roseira a qual veio me acalentar e eu não soube se retirar.

 

- Picada dolorosa, contudo cheirosa por demais, não pude aguentar... [Corvo]

- Mas tiraste uma pétala no seu despedaçar e eu não pude me curar... [Roseira]

- Voltarei outro dia para salientar esta dançar encantada, roseira amada. [Corvo]

 

Dia lento e frio a se passar, uma pétala a mais para chorar

Seu corvo veio voando, com um cheiro a guiar

A roseira dançava esperando seu mal acabar. 

 

- Ventos me trouxeram de aurora, não posso ir embora. [Corvo]

- Busca-me pela beleza ou o cheiro atrativo de suas narinas evasivas? [Roseira] 

- Seu doce mel a me envenenar, como uma abelha, eu sempre hei de voltar... [Corvo] 

 -Mas prometo-te, roseira amada, não hei mais ousar machucar, nem uma pétala a mais tirar. [Corvo] 

- Então fica-te, pois o coveiro já está a chegar, com as pétalas tiradas em suas vindas, não pude me curar, sua linda roseira tu não irás mais encontrar. [ Roseira chora a seu amado corvo]

 

Aquele afiado machado, o qual se encontrava naquela dura e antiga madeira 

Cortou e deu seu último suspiro em sua fértil e macia terra

Levando consigo, sua linda roseira.

 

O corvo a se espreitar, pôs-se a chorar...

Quando prometeu pétalas não mais arrancar... quando prometeu não mais machucar...

A linda roseira, não tinha mais forças e suspiros para dar

 

E o corvo?... 

Em toda aurora solar e lunar, sempre deixa seu coração triste a guiar e a linda plantação onde sua amada dançada sem parar

Derrama seu choro e seus pêsames, onde viu o velho coveiro com seus imensos pés a suplantar e retirar

Aquela cheirosa e linda roseira nunca mais há de voltar.

 

E o senhor corvo nunca mais pôs a amar, até seu último suspiro dar. 

 

Autoria: GabrielMaria

 

  • Autor: Biel (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de setembro de 2026 10:10
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 2


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