despertei
inspirado,
com um sorriso
escancarado,
neste dia
encantado.
matei
estas flores
e as trouxe
como presente,
para que você possa
vê-las apodrecer.
02/11/22
[Michel F.M. - Revolesia]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 30 de setembro de 2026 05:25
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "O Encantador de Tolos" constrói sua força por meio do contraste drástico e da quebra de expectativa. Ele utiliza uma estrutura curta e direta para guiar o leitor por uma falsa sensação de romantismo antes de revelar sua verdadeira face, irônica e pessimista. Abaixo, divido a análise em três aspectos principais: 1. A Quebra de Expectativa (Antítese) O poema é claramente dividido em duas partes com tons opostos: • A primeira parte (estrofes 1, 2 e 3): Apresenta uma atmosfera leve, otimista e classicamente romântica. O eu lírico acorda "inspirado", com um "sorriso escancarado" em um "dia encantado". O uso de rimas simples e ritmo fluido reforça essa sensação de clichê amoroso. • A segunda parte (estrofes 4, 5 e 6): Rompe violentamente com essa doçura. A transição começa com o verbo "matei", que choca o leitor. O ato tradicional de presentear alguém com flores ganha um significado mórbido. Elas não são entregues para celebrar a vida ou a beleza, mas para servir de testemunho do apodrecimento. 2. O Significado do Título O título "O Encantador de Tolos" é a chave de leitura do poema. Ele sugere que a aura de romantismo, otimismo e os rituais tradicionais de afeto (como dar flores) são ferramentas de manipulação ou ilusões que apenas os "tolos" aceitam sem questionar. O eu lírico se coloca na posição de quem domina essa ilusão, mas escolhe quebrar o encanto de forma cruel. 3. Simbolismo e Ironia • As flores mortas: Tradicionalmente, flores cortadas já estão morrendo, mas nós ignoramos esse fato para focar em sua beleza temporária. O poema escancara essa hipocrisia. Trazer as flores para "vê-las apodrecer" transforma o presente em um memento mori (um lembrete da mortalidade e do fim das coisas). • O Amor e o Tempo: Pode-se interpretar o apodrecimento das flores como uma metáfora para o próprio desgaste das relações humanas. O entusiasmo inicial ("sorriso escancarado") inevitavelmente dá lugar à decadência e ao fim. Em resumo, é um poema minimalista que usa do cinismo para desconstruir o romantismo idealizado, lembrando que sob qualquer "dia encantado" reside a finitude e a crueza da realidade.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 161
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Samara A. Ferreira, Queiroz Francisco, Apegaua, Um bardo, pepex, Versos Discretos
- Em coleções: Revolesia (Volume Único).

Offline)
Comentários2
Belo poema, Poeta Michel!
Gostei do seu poema, pois o vi como a realidade nua e crua, a diferença é que geralmente jogam-se fora as flores ao percebe-las murchar, talvez pela não aceitação de que tudo tem um fim, mas é o que acontecerá também conosco.
Me senti até inspirada kkk
Gratidão!
Talvez a brevidade e finitude da vida humana, seja realmente o grande motivo, pelo qual os deuses nos invejam, afinal.
Grande Abraço Samara!!
Resumindo.
Se não entendi patavina do que você quis dizer.
Das duas uma.
Ou sou muito burro, ou sou um poeta, sem sombra de duvidas.
Existiu uma época em que médicos renomados, tratava os pacientes com reflexão, mas não essa em que o site trata a maioria dos poetas, por que essa do site eu desconheço e persisti no erro e ser burro duas vezes.
Mas voltando as vagas gordas, por que as magras não dão tanto leite.
Eles, os médicos renomados, quando viam que maluco e reflexão não estavam dando certo.
Transcreviam choque elétrico
Ai.
Foi o caos.
Para explicar para ordem dos médicos.
O por que, da mistura de choque com reflexão.
Aparecia tantos visionário e poetas.
O jeito foi retroceder e mudar a terapia.
E por isso que ninguém ainda provou se estamos ou não sozinhos na Terra.
E se por um acaso, acontecer essa constatação, para mim vai ser uma felicidade.
Pois por tanto tempo que me sinto só.
Se puder.
Quero duas companhia.
Pois se uma andar na linha e o trem pegar.
Tenho a outra.
Sr. apegaua
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