Não fale do que não sabe

LF Text

Fumaça pelas chaminés, o dia realmente foi quente
Acorde na banheira de gelo, sua temperatura quase negativa 
O corpo sobrevive, se adapta, se molda, mas há coisas que o coração não aguenta 
Sou um enigma, sem função, sem geometria, sem corte, apenas agonia 

O mundo fatia as pessoas, como se fosse apenas um pedaço de salame
Recorta as faces, recorta o sentimentos, recorta tudo o que é grudado 
Eu fecho os meus olhos, pensando que tudo isso pode passar
Mas no fundo nem eu mesmo acredito nisso

Estive acostumado com a violência, não venha me pedir para ser tão meigo 
Com os cortes na pele, marcas das minhas muralhas 
E tudo isso foi soldado dentro de mim, sou um tipo de brasa incandescente 
Um motor ligado sem fazer barulho, o silenciador de um rifle, o espinho de uma roseira 

Mas não posso me perder, nem perder o que tenho que proteger
Até a alma sofrer, até o espírito padecer, sim, nada vai aparecer 
Não, não vai passar tão cedo, eu não tenho planos para isso
Já passei dos 20, logo será dos 25, para chegar nos 30, indo para os 40, minha idade misturada com o velocímetro 

Pendure a cruz no pescoço, voltando para o seu posto 
Não adianta fugir, não adianta remediar, sou a fuligem e o detergente 
Não fale do que não sabe, não procure o que não quer achar, não veja o que não quer lembrar 
Há coisas demais, há pessoas demais, mantenha o círculo fechado, nem abra para estranhos...



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