É meia-noite.
Do meu quarto
pela porta de vidro
vejo o tênue claro
da rua.
Ele reflete
nas hastes prateadas
da rede elétrica no muro.
E estende uma sombra macilenta
nesse trecho do jardim.
Onde o vão da casa do vizinho
ao fundo
–seu jardim tropical–
recolhe a esta hora densa solidão.
A negritude que se faz
sobre os arbustos
resgata de mim
sombras do passado:
–amigos que se foram...
Meus pais há muito são esmaecida memória.
Deles sou único subsistente.
E uma onda de solitude
rebate na minha alma.
Há um silêncio
de um eco antigo.
O tempo inexiste,
tudo parece imóvel.
Mas me engano,
pois eu sou.
E me sinto sendo
o fantasma a completar
o quadro à minha frente,
com o pressentimento
desta visão funérea
entranhada
no meu existir.
Então desço
a cortina da porta de vidro.
E fico.
Tangará da Serra, 27/09/2026
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Autor:
Maximiliano Skol (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 29 de setembro de 2026 00:44
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 21
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Ayalah Verônica Berg, Morlock, Queiroz Francisco, Damião Rodrigues

Offline)
Comentários3
Que cena, caríssimo
Um encanto como conduziu os versos, me prendeu.
Um salve, amigo
Gratidão, meu ilustre amigo, Queiroz Francisco, pela sua visita e comentário.
Forte abraço.
Uma pérola de poesia.
Ao baixar o pano o eu lírico rompe o contato visual com a noite e com as lembranças dolorosas do exterior.
Um forte abraço, mestre Maximiliano Skol.
Queridíssimo Shmuel, com é bom ver este teu sorriso a visitar-me.
Um abração.
Um poema profundo, carregado de emoção.
Grande abraço, meu amigo.
Deus o abençoe infinitamente.
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