É meia-noite.
Do meu quarto
pela porta de vidro
vejo o tênue claro
da rua.
Ele reflete
nas hastes prateadas
da rede elétrica no muro.
E estende uma sombra macilenta
nesse trecho do jardim.
Onde o vão da casa do vizinho
ao fundo
–seu jardim tropical–
recolhe a esta hora densa solidão.
A negritude que se faz
sobre os arbustos
resgata de mim
sombras do passado:
–amigos que se foram...
Meus pais há muito são esmaecida memória.
Deles sou único subsistente.
E uma onda de solitude
rebate na minha alma.
Há um silêncio
de um eco antigo.
O tempo inexiste,
tudo parece imóvel.
Mas me engano,
pois eu sou.
E me sinto sendo
o fantasma a completar
o quadro à minha frente,
com o pressentimento
desta visão funérea
entranhada
no meu existir.
Então desço
a cortina da porta de vidro.
E fico.
Tangará da Serra, 27/09/2026
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Autor:
Maximiliano Skol (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 29 de setembro de 2026 00:44
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2

Offline)
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