Há pessoas que chegam
sem perceber que deixam luz por onde passam.
Talvez seja assim com ele.
Aos domingos,
o vermelho permanece por baixo do branco,
e ele se aproxima do altar
com a simplicidade de quem não precisa
ser grande aos olhos do mundo
para fazer algo grandioso.
Há uma espécie de silêncio nele
que não é ausência,
é paz.
Um jeito sereno de estar,
de ouvir,
de esperar,
de tratar cada pessoa
como se a gentileza fosse uma oração
que ele repetisse sem perceber.
E por trás dos óculos,
há um olhar que parece carregar
a mesma doçura do seu jeito.
Um olhar tranquilo,
que não procura chamar atenção,
mas que, ainda assim,
é difícil não notar.
Ele serve.
Mas há algo além do serviço.
Há cuidado nos gestos,
humildade na maneira de permanecer
e uma doçura quase escondida
nas pequenas coisas.
Como se, por alguns instantes,
o altar não ensinasse apenas sobre fé,
mas também sobre quem ele é.
E quando ele vai embora,
o altar continua no mesmo lugar,
as orações chegam ao fim,
as vozes se despedem
e a igreja volta ao silêncio.
Mas alguma coisa permanece.
Talvez seja a lembrança daquele olhar
por trás das lentes,
a delicadeza de um gesto,
ou simplesmente a presença
de alguém que, sem saber,
fez daquele domingo
um pouco mais bonito.
Porque algumas pessoas
não precisam permanecer diante dos nossos olhos
para continuarem dentro de nós.
Ele termina o seu serviço.
As luzes da igreja se apagam.
O domingo segue.
Mas aquele olhar,
por trás das lentes,
parece ficar.
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Autor:
lu.poesya (
Offline) - Publicado: 28 de setembro de 2026 21:42
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2

Offline)
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