AMORES DE SEGUNDAS

Arthur Voiterk

 

Passei o fim de semana agoniado,
a agonia encheu meus pensamentos de vazio.

Perdi o instinto no meio do caminho,
é que as vezes eu duvido de mim, duvido de tudo, duvido sozinho.

Me desculpa se eu questiono, se eu insisto,
se eu te procuro tanto, se eu te toco fundo,
até sentir tua alma tocando a minha alma,
eu gosto quando dois corpos se tornam um.

Um só mundo.

Mas eu caí no abismo,
e lá não é tão escuro assim.
Lá eu aprendi, lá eu me escondi, lá eu me acolhi.


Sozinho, debaixo da tempestade,
com a água encharcando meus pés,
até eu amanhecer de olhos para o céu.

Eu fui obrigado a decidi:

Você ainda lembra
do dia em que eu implorei pra você ficar?

Eu dei tudo que eu tinha.
Dei por mim, por você, por nós.
Sem discurso, sem defesa,
sem medir o som da minha voz.

Eu só queria amar.
E foi amando que eu aprendi
que nem todo adeus merece reencontro,
nem toda saudade pede retorno.

Tem gente que a gente perdoa
sem abrir a porta outra vez.
Porque perdoar não é esquecer
o que a pessoa fez.

Eu não volto pra onde me perdi.
Não reabro ferida pra provar cicatriz.
Quem me feriu uma vez
não ganha de mim a chance de ferir duas.

Eu não carrego rancor.
Carrego aprendizado.

E talvez seja isso que o amor fez comigo:
não me deixou frio,
me deixou seletivo.

Hoje eu sei que amor não é insistir.
Não é aceitar migalha só porque veio acompanhada de carinho.
Não é ser segunda opção
e chamar de destino.

Amor é escolha.
É presença.
É reciprocidade.

E quando não existe,
eu não imploro, não persigo, não retorno.

Eu sigo.

Porque algumas pessoas
foram apenas uma segunda-feira na minha vida:
chegaram pesadas,
deixaram marcas,
e passaram.

Eu não preciso odiar a segunda-feira
pra preferir o domingo.

Nem preciso voltar pra ela
só porque um dia eu quis que fosse diferente.

Eu aprendi a amar.
E, principalmente,
aprendi a não me abandonar por amor.

Por isso, se um dia eu amar de novo,
não será segunda chance pra quem me feriu.

Será primeira chance
pra alguém que nunca precisei perder.

Porque eu não aceito amores de segunda.

 

Arthur Voiterk / AMORES DE SEGUNDAS

 

  • Autor: Arthur Voiterk (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de setembro de 2026 20:45
  • Comentário do autor sobre o poema: Esse poema fala muito sobre a forma como eu passei a enxergar o amor. Já amei, já me machuquei e já confundi algumas coisas com amor. Hoje eu entendo que amar alguém não pode significar deixar de me amar. Pra mim, amor precisa ter troca, respeito e liberdade. E algumas pessoas fazem parte da nossa história, mas não precisam fazer parte do nosso caminho pra sempre.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 5
  • Em coleções: Eu e o silêncio.
Comentários +

Comentários1

  • Ediberto S. Silva

    Muito tocante. Achei incrível o modo como se usou ás palavras para descrever um sentimento tão real. Parabéns

    • Arthur Voiterk

      Obrigado, ??
      De fato o amor segue sem uma explicação racional e impossível medir. Mas raso nunca pode ser usado para definir algo profundo.
      Obrigado pelo conselho.



    Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.