Lembre-se, se lembre, de tudo o que aconteceu
Do gosto, do desgosto, do desejo, do apavoro
Eu não quero ser outro, não quero sentir de novo, nem o gosto da terra nem do esgoto
Eu vim de baixo, eu estive bem abaixo, eu quero sair daqui de baixo
Desconforto, conforto, estive caminhando entre vírgulas
As horas passaram e eu continuei o mesmo
Pode chorar, engasgar, desesperar, bater e ir com a violência
Mas nenhuma lágrima voltará para o teu olho
A verdade é que estive acostumado com coisas terríveis
Vomitando a minha hipocrisia em forma de rimas e palavras
O meu vazio que grita, a minha alma que se lamenta
Fui eu que bati o prego, fui eu que crucifiquei ele de novo, foi o ego, o egoísmo, a minha vida, o meu simplicismo
Mas o ponteiro bateu, me arremessou, me tremeu
Arranque as minhas cordas, retire a máscara do rosto
Buscando a vida de novo, buscando me sentir vivo de novo
No meio dos hematomas, dos meus ossos rachados, meu sangue escaldado, me perguntam? Eu respondo, me sinto vivo
Estive me perdendo na dor, na luxúria, na carência
Então me reconstrua, me quebre, me transforme, me coloque em uma linha reta
Tire a espada, tire o câncer, tire a doença, tire o inimigo, apenas tire a minha miséria
Faça do meu desconforto algo que vire ouro, faça que a tua cruz brilhe para mim de novo...
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Autor:
Fantasma sem coroa (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de setembro de 2026 23:46
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: LF Text, Michel F.M.
- Em coleções: Culpa, Melhores poemas.

Offline)
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