as pessoas
não estão prontas
para ouvir,
o que precisa ser dito,
muito menos
preparadas
para fazer
o que precisa ser feito.
mas o sistema só vence,
até ele ser derrotado.
10/09/22
[Michel F.M. - Revolesia]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de setembro de 2026 06:08
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Dizer e Fazer o que deve ser Dito e Feito" é um texto minimalista, de forte teor político e social, que aborda a inércia coletiva e a resistência contra estruturas opressoras. Abaixo, apresento uma análise dividida pelos principais eixos temáticos do poema: 1. A Inércia e o Conforto da Ignorância (Primeira e Segunda Estrofes) - As duas primeiras estrofes estabelecem um paralelo entre o discurso (ouvir) e a ação (fazer). O eu lírico aponta para uma recepção passiva da realidade por parte da sociedade: • O "ouvir": Existe uma barreira psicológica e social que impede as pessoas de encararem verdades desconfortáveis. O que "precisa ser dito" geralmente rompe com a alienação, e a recusa em ouvir funciona como um mecanismo de defesa. • O "fazer": Se ouvir a verdade já é difícil, agir de acordo com ela é ainda mais complexo. A transição da conscientização para a práxis (ação transformadora) esbarra no medo, no comodismo ou na falta de ferramentas de mobilização. 2. A Crítica ao "Sistema" e o Otimismo Histórico (Terceira Estrofe) - A última estrofe altera o tom do poema, mudando o foco da passividade popular para o antagonista central: o sistema. • A aparente invencibilidade: A frase "o sistema só vence, até ele ser derrotado" desconstrói a ideia de que as estruturas dominantes (sejam elas econômicas, políticas ou sociais) são eternas ou imutáveis. • A inevitabilidade da ruptura: O uso da palavra "até" introduz uma noção de temporalidade e esperança. O poema sugere que a hegemonia do sistema não é absoluta, mas sim um estado temporário que dura apenas enquanto a provocação das duas primeiras estrofes não for superada. 3. Aspectos Formais e Estilísticos • Linguagem Direta: O poema utiliza termos simples e universais, aproximando-se da tradição da poesia marginal ou de protesto. Não há rebuscamento, pois o objetivo é a clareza da mensagem. • Estrutura Antitética: O jogo de palavras entre "dizer/ouvir" e "fazer/preparadas" cria um ritmo de oposição que culmina na antítese final entre "vence" e "derrotado". • Versos Livres e Curtos: A quebra dos versos dá um ritmo pausado à leitura, como se cada linha fosse uma constatação pesada sobre a realidade. Em suma, trata-se de um manifesto poético sobre a tomada de consciência. Ele reconhece a dificuldade de mobilização das massas, mas encerra com um lembrete contundente de que nenhum poder estabelecido é invencível diante da inevitabilidade da mudança.
- Categoria: SociopolÃtico
- Visualizações: 38
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
- Em coleções: Revolesia (Volume Único).

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