Rolê

Sandro Paschoal Nogueira

Saí de casa sem destino,
sem saber onde chegar,
não porque houvesse um caminho,
mas porque eu precisava andar.

Sentei num bar, pedi um drink,
vi a noite acontecer,
e entre risos e conversas
não encontrei o que queria ver.

Não era falta de gente,
nem silêncio ao redor;
era a falta daquele encontro
que faz a noite ter sabor.

Há dias em que a vida passa
sem sequer nos tocar,
como uma rua conhecida
que já cansamos de atravessar.

E então a gente sai sozinho,
só para poder dizer:
“Hoje eu não fiquei fechado,
hoje eu tentei viver.”

Mas que estranho é estar no mundo
e não sentir o mundo entrar;
ter pessoas ao nosso lado
e ninguém nos despertar.

Talvez a vida seja mesmo
esse eterno procurar:
não necessariamente alguém,
mas um motivo para ficar.

Um olhar que nos surpreenda,
uma conversa sem final,
uma presença inesperada
que transforme o habitual.

Porque o que cansa não é a noite,
nem a solidão de um lugar;
é quando todos os caminhos
parecem sempre terminar no mesmo lugar.

Então volto para casa,
deixo o copo e deixo o bar,
guardo a noite na memória
e me preparo para sonhar.

Amanhã começa tudo de novo,
com seus horários e seus ais;
mas talvez, entre o mesmo de sempre,
a vida ainda guarde algo mais.

E se hoje nada aconteceu,
não significa que acabou.
Há noites que apenas passam…
e há noites em que alguma coisa começa sem que a gente saiba onde começou.

Sandro Paschoal Nogueira

  • Autor: Sandro Paschoal Nogueira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de setembro de 2026 22:46
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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