Não me basta o pulso morno de um dia igual,
a rotina tecendo sua teia de horas translúcidas.
Há em mim um desejo que não tem nome,
uma fome que nenhum pão sacia.
Eu, que sou apenas homem,
crio enigmas formais sobre temas abstratos,
desenho labirintos no ar com palavras,
como se pudesse aprisionar o vento.
Mas não quero a segurança dos muros.
Quero a vida, em seu estado bruto e voraz,
essa história dolorosa que chamamos de viver.
Quero me envolver em amores que desmoronam,
perder a razão como quem perde uma chave,
e não me importa se a porta se fecha.
Eu não quero ser uma pessoa comum.
Quero ser a chama que se consome
por ter ousado amar demais.
Quero ser a história que se conta
mesmo quando ninguém mais escuta.
Quero, na dor e no desvario,
ser apenas – e inteiramente – humano.
por Morlock
Não quero ser uma pessoa comum.
Quero ser a lucidez de um louco,
a última vela acesa numa catedral em ruínas,
o sussurro que persiste quando todos os sinos se calam.
Quero morrer de amor,
como morrem os que jamais aprenderam
a amar pela metade.
Quero fazer da minha desgraça um relicário,
das minhas feridas, literatura,
e de cada cicatriz,
uma página que sobreviva à carne.
Quero beber da taça amarga da existência
até que meus lábios conheçam o gosto do abismo.
Quero perder a razão por alguma coisa bela,
arder por aquilo que não pode ser meu,
e ainda assim agradecer ao destino
por ter me concedido a ousadia de sentir.
Não quero chegar ao fim intacto.
Quero chegar marcado,
quase em ruínas,
mas tão profundamente vivo
que até a morte hesite
antes de me chamar pelo nome.
-tória
Trágico Sentido de Ver a Vida
Todo homem traz dentro de si seus demônios:
O que pensa que sente; o que realmente sente;
E o que os outros julgam que ele sinta,
Guiados por visões, impulsos e desencontros.
O que pensa que vê; o que realmente vê;
O que projeta no olhar de quem o observa,
Ou o que o mundo supõe que ele enxergue.
Diante do viver, sentir, ver, ser e fazer trágico.
O que acredita que é; o que realmente é,
E o que os outros acham que ele representa;
O que julga que faz; o que realmente faz,
Ou o que supõe que avaliem se ele é capaz.
O que pensa, o que fala e o que faz acontecer;
Mas nenhum deles se rende ao próprio tutor…
E cada um mostra suas garras no momento oportuno,
Conforme seu ponto de vista, ações ou omissões na vida!
-Jorge E. Leal
Em qual classificação
Você enquadra tua vida,
Quando a rotina parece um
Cenário daqueles filmes ruins?
Aqueles que não ganham
Prêmios, nem atravessam
O tapete vermelho, sem estrelas
Na calçada ou belos pôsteres
De divulgação.
Não existem personagens
bem definidos, onde sacamos
De primeira, quem é quem.
A complexidade está na
Dificuldade de interpretá-los,
Ou antes disso, fazer a leitura
Do que querem e porquê.
Trombamos com vilões
E anti-heróis a todo instante
[Sem reconhecer que somos
Nosso maior arqui-inimigo].
Um clímax fraco e confuso,
Que te coloca na sinuca, de não
Saber se a oportunidade virá
Ou já se passou, enquanto você
Se desencontrava em tuas decisões,
Que em nenhum episódio
Chegaram a ser opcionais.
Mas depois das décadas de
Ostracismo e a sensação que
Desapareceram os negativos originais,
Alguém surge com uma cópia
Digitalizada, retirada de alguma
Estante anônima e empoeirada,
Nos fazendo reconhecer que
Aquela velharia bizarra, era
Na verdade, um clássico.
[Michel F.M.]
POR QUE TODO MUNDO É NORMAL?
QUERO SER ANORMAL
SER O INVERSO DE TODO MUNDO
QUE SEJA SÒ POR UM SEGUNDO
SEI QUE SEREI FELIZ
QUANDO TRANSAR COM UMA MERETRIZ
NO CHAFARIZ
DE UM ALMOFARIZ
Eu não sou normal
E nem quero ser
Confesso que já tentei ser
E em pouco tempo
Me voltei para mim
Pela falta do sentir.
Ser o que não sou
Me faria cometer
Crimes sem fim
Pois me deixaria levar
Pela massa
Que não parece ter massa cefálica
E apenas réplica o que vê.
Confesso não ser tão inteligente
Mas não me troco por ninguém
Gosto de ser anormal com pensamentos diferentes
Do que ser indiferente
Nesse mundo doente.
Eu sou oito ou oitenta
Sou gelo ou fogo
Sinto ao extremo
Sou tão infinita
Que me perco dentro de mim.
Eu não sou uma pessoa comum
acordo ligeiramente feliz
quase todas as manhãs
tomo café e como pão
satisfeito sigo para o trabalho
que finjo não gostar por etiqueta
o sol que queima
que faz suar
me agrada
como no mesmo prato
e sempre de colher
me embriago com água fresca
e me basta
vou à praça jogar damas
às vezes conheço uma
e tudo termina por cima
dos lençóis nunca em baixo deles
me correspondo ainda por telegramas
pago minhas dívidas na loteria
e a vida é mansa
como se eu sempre acertasse
em raspá-la
- Damião -
Sou normal, tá!
Não espero de ninguém
nem pedra nem aplauso.
Mandar me cansa.
Obedecer me dá sono.
Não temo a mim—não,
não temo a ninguém.
Só o riso que escapa
talvez mereça altar.
O peso do que fiz.
O tédio do que farei.
Não seria melhor sumir no deserto?
Virar bicho,
lamber a própria ferida,
voltar ao caos
como quem volta pra casa?
Lá o tempo se conta
em goles de veneno.
Me encontrar.
Me confessar sem verdade.
E rir do perdão.
A arrogância tem seu êxtase.
O desprezo me encara.
Eu bocejo.
O espelho me cumprimenta e cai.
O mundo então responde...
que responda em silêncio.
Não é fé.
É teimosia.
[de Ayalah Verônica]
- Autores: Morlock, Tória, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, Michel F.M., credence, Samara A. Ferreira, Damião Rodrigues, Ayalah Berg
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 26 de setembro de 2026 15:51
- Limite: 8 estrofes
- Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
- Comentário do autor sobre o poema: Assunto para o poema mesclado: Ser uma pessoa normal já não me satisfaz. É uma característica humana – criar enigmas formais sobre temas abstratos. Eu, como humano, quero participar da vida, e, de forma habilidosa ou não, tento me envolver em amores, ou perder a razão, mas quero me entregar a toda essa história dolorosa que chamamos de vida.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 20

Comentários4
Eu não quero ser uma pessoa comum.
Mas quero ser como um poeta notado.
Ia dizer dotado,
mas bem dotado eu já sou.
Eu quero ser comum
entre pessoas incomuns,
e entre pessoas incomuns
eu quero ser comum
como um Fernando Pessoa,
aquela pessoa,
que era várias pessoas,
sendo apenas uma pessoa.
No meio de pessoas
eu sou Fernando,
e no meio de Fernandos
eu sou Pessoa,
mas mesmo sendo Fernando e Pessoa,
eu nao sou Fernando Pessoa.
[de Luminoso, o Vitorioso]
É isso aí...
O Fernando "PESSOAS" era tão único, sendo vários...
Tou meio revoltado, não consegui participar a tempo, e já estava compondo a minha parte do poema, coincidência ou não, a última participação foi da Ayalah ou Verônica.
No próximo tu faz que nem a Verônica, me avisa, que eu vou aumentando as estrofes conforme vão participando. Originalmente era com 6 estrofes. Estou indo encontrar ela agora, quer que eu passe algum recado? Posso dar uns beijos nela por ti. rsrsrs
Tudo bem eu aviso na próxima, hmmmm deixa cá ver.
diz a ela para me responder no privado quando der rsrsrsrs
Acabei perdendo esse trem, e não pude participar desse evento tão barulhento.
Talvez eu nem devesse ou precisasse aqui falar, mas sou menos normal do que vocês todos juntos.
Eu me vi em quase todas as escritas,
Menos nessa:
"QUANDO TRANSAR COM UMA MERETRIZ
NO CHAFARIZ
DE UM ALMOFARIZ"...
Kkkk
Acho que vocês entendem porque...
LUCITA que ama vocês doidinhos...
É o que dá procurar palavras para rimar apenas, é como rabiscos em um caderno, cem rabiscos sem significado...rs
Né??
Kkk
Não mais serei a sombra do comum,
Nem marcharei na fila dos iguais.
O elo se rompeu, não resta um,
Nas cinzas do que fomos, busco a paz.
Desfaço o laço e fecho este compêndio,
Rompendo a força da gravidade,
Pois a paixão que se tornou incêndio
Cedeu espaço à fria lucidez.
Não seguirei os passos que tu dás,
Nem correrei atrás do teu rastro.
Quem busca o outro e a si mesmo atrás
Perde o domínio do próprio astro.
O movimento que me une a ti
Era ilusão de um plano inclinado;
Hoje retomo o rumo em que me vi,
Livre do teu caminho traçado.
Não cometerei os mesmos erros velhos,
Erros de quem confunde a sede com a fonte,
De quem projeta a luz em maus espelhos
E busca o nada além do horizonte.
Errar é a falha do discernimento,
Mas persistir no erro é cegueira;
Anulo a dor e limpo o pensamento
Da promessa que foi passageira.
Não mais direi que te amo, pois o verbo
Perdeu seu sentido e sua razão;
Tornou-se apenas um ruído acerbo,
Falso axioma da paixão.
O amor sem troca é força sem vetor,
É energia gasta em vão no espaço;
Silencio a voz que expressava a dor
E desfaço a memória do teu abraço.
Não sonharei mais contigo nas noites,
Onde a mente inventa o que não há;
Cessem os desejos e seus açoites,
Pois o sonho engana quem nele está.
A mente humana cria a sua prisão
Ao transformar ausência em presença;
Recupero a minha própria visão,
Longe da tua nefasta influência.
Não pensarei no que deveriam dizer,
Nem no julgamento do mundo incerto;
O pensamento alheio faz perder
O chão seguro do meu próprio certo.
Viver de expectativas dos demais
É renunciar à própria essência;
Cubo de espelhos onde os sinais
Sufocam a voz da consciência.
O tempo flui e ensina a filosofia:
A liberdade exige o desapego.
Trancada a porta da melancolia,
Reencontro a paz no meu sossego.
Não há tragédia em ver o fim chegar,
Há sobriedade no meu destino;
Cesso o impulso de te procurar
E retomo o comando soberano.
Sou hoje o ser que se auto-determina,
Sem as correntes de um antigo afeto.
A existência agora se ilumina
Sob a clareza de um teto reto.
A solitude deixa de ser dor
E torna-se a minha maior virtude:
Não serei comum, nem dependente do amor,
Pois na razão encontro minha atitude.
Felicity_poeta
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