Porque não te odeio?

João gabriel Zandavalle

Começamos tão do nada,

em um fim de semana qualquer.

E, em pouco tempo, percebemos

o quanto combinávamos.

 

Foi tudo tão rápido,

tão leve,

que até me pareceu estranho

nada ter dado errado.

 

Não que eu desejasse um problema,

mas era como se, no fundo,

eu já esperasse pelo instante

em que tudo desmoronaria.

 

Como se alguma parte de mim sussurrasse

que aquilo era bom demais

para ser verdade.

 

E, com o passar daquele

curto e intenso momento que tivemos,

meu maior receio se confirmou.

 

O que antes havia avançado tão depressa,

de uma forma tão bonita,

em um instante

virou - se de ponta-cabeça.

E então,

terminamos.

 

 

Mas por quê?

 

Essa é uma dúvida que,

mesmo após a sua explicação,

ainda me acompanha.

 

Você disse que eu era bom,

que gostava de mim,

mas, ainda assim,

escolheu partir.

 

E o que me sobrou

foi a sensação de que,

mesmo gostando um do outro,

isso não foi suficiente

para te fazer ficar.

 

Lembro de ouvir você dizer

que não se sentia capaz

de lidar com tudo aquilo

e que, por isso,

seria melhor ir embora.

 

Disse que era

para que não nos machucássemos mais.

 

E, embora eu compreenda

o seu lado da história,

ainda me pergunto:

 

o que teria acontecido

se você tivesse escolhido

acreditar em nós?

 

Talvez essa escolha

tenha sido a melhor.

Afinal, eu mesmo

não me considero uma pessoa boa.

Bem no fundo,

sei que não mereço tal amor.

 

Eu já havia aprendido

a conviver com esse sentimento

de alguma maneira,

até aquele fim de semana.

 

O fim de semana em que tudo começou a mudar.

Onde nos conhecemos,

onde começamos a conversar,

onde você me fez sentir

que eu não precisava me odiar.

 

Foi ali que, pela primeira vez,

eu achei que havia encontrado

a pessoa certa.

 

E você, com palavras e gestos,

fez questão de me enxergar

como alguém bom.

 

Então, de repente,

como um banho de gelo,

suas respostas frias

fizeram com que tudo aquilo

que ainda tínhamos para viver

parecessem apenas ilusões vazias.

 

Você me fez acreditar

que chegaríamos ao céu

e, depois,

tirou o chão debai

xo dos meus pés.

 

E mesmo após 

 com um fim tão cruel,

 

eu ainda me pergunto:

 

por que não te odeio?

 



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