Começamos tão do nada,
em um fim de semana qualquer.
E, em pouco tempo, percebemos
o quanto combinávamos.
Foi tudo tão rápido,
tão leve,
que até me pareceu estranho
nada ter dado errado.
Não que eu desejasse um problema,
mas era como se, no fundo,
eu já esperasse pelo instante
em que tudo desmoronaria.
Como se alguma parte de mim sussurrasse
que aquilo era bom demais
para ser verdade.
E, com o passar daquele
curto e intenso momento que tivemos,
meu maior receio se confirmou.
O que antes havia avançado tão depressa,
de uma forma tão bonita,
em um instante
virou - se de ponta-cabeça.
E então,
terminamos.
Mas por quê?
Essa é uma dúvida que,
mesmo após a sua explicação,
ainda me acompanha.
Você disse que eu era bom,
que gostava de mim,
mas, ainda assim,
escolheu partir.
E o que me sobrou
foi a sensação de que,
mesmo gostando um do outro,
isso não foi suficiente
para te fazer ficar.
Lembro de ouvir você dizer
que não se sentia capaz
de lidar com tudo aquilo
e que, por isso,
seria melhor ir embora.
Disse que era
para que não nos machucássemos mais.
E, embora eu compreenda
o seu lado da história,
ainda me pergunto:
o que teria acontecido
se você tivesse escolhido
acreditar em nós?
Talvez essa escolha
tenha sido a melhor.
Afinal, eu mesmo
não me considero uma pessoa boa.
Bem no fundo,
sei que não mereço tal amor.
Eu já havia aprendido
a conviver com esse sentimento
de alguma maneira,
até aquele fim de semana.
O fim de semana em que tudo começou a mudar.
Onde nos conhecemos,
onde começamos a conversar,
onde você me fez sentir
que eu não precisava me odiar.
Foi ali que, pela primeira vez,
eu achei que havia encontrado
a pessoa certa.
E você, com palavras e gestos,
fez questão de me enxergar
como alguém bom.
Então, de repente,
como um banho de gelo,
suas respostas frias
fizeram com que tudo aquilo
que ainda tínhamos para viver
parecessem apenas ilusões vazias.
Você me fez acreditar
que chegaríamos ao céu
e, depois,
tirou o chão debai
xo dos meus pés.
E mesmo após
com um fim tão cruel,
eu ainda me pergunto:
por que não te odeio?
-
Autor:
João gabriel Zandavalle (
Offline) - Publicado: 26 de setembro de 2026 01:38
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 1
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