Sonho vazio

Poesia Abandonada

Era um salão sem portas, sem paredes, Um vasto nada, erguido em silêncio. Não havia rostos para tentar lembrar, Nem labirintos para me perder. Um sono vazio, despido de enredo, Onde até o tempo se esqueceu de bater.

E, no entanto, não me faltava nada. A ausência ali não era uma ferida, Mas o contorno exato da quietude. Como um cálice que transborda de vento, Ou um tabuleiro sem peças, em paz com seu fim.

Sem propósito algum, o sonho era inteiro. Não buscava destino, lição ou roteiro. Eu não corria, não caía, não voava: Apenas existia, suspenso e perene, Na plenitude intacta de um espaço vazio.

Acordei pesado de tanta leveza. O mundo, lá fora, exigia contornos, Mas eu guardava no peito o infinito De um sonho que, não sendo nada, Teve a ousadia de me entregar tudo.

  • Autor: Poesia Abandonada (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de setembro de 2026 17:42
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4


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