A tinta continua

LF Text

Seria repetitivo, se eu contasse a mesma história 
Seria incômodo, se eu continuasse lembrando das mesmas coisas
Em uma sala cheia de mentiras, eu estou começando a me coçar 
Mais uma, menos outra, tudo vira igual, estou começando titubear 

Tento ficar sóbrio, tento ficar limpo
Pego a caneta, derramo tudo no papel até ficar encharcado 
Já não falo para minha mãe, nem para minhas irmãs, muito menos para o meu pai
Vou tomar a dose de hoje e delirar mais um pouco 

Não consigo lembrar, das cores que tinham no meu rosto
Eu quero recomeçar tudo de novo, mas não quero estragar tudo de novo
Nenhum deles vai ligar se eu bater a porta
Me acorde quando esse pesadelo acabar, me acorde quando eu estiver vivo de novo

No meio da noite, estou me engasgando, vomitando toda a maresia 
Sou o místico, sem misticismo, sou o mágico, sem a mágica 
Quero me sentir em casa, mas sou um estranho dentro do meu quarto
Nenhum pertencimento, nenhum tratamento, tenho sobrevivido de dentro do abismo 

Tento ficar vivo, tento ficar limpo, tento ficar sóbrio 
Mas essa podridão me deixa podre, um morto-vivo vestindo roupa
Eu digo que vou parar, mas a tinta começa a derramar, começo a delirar 
Eu sou uma incógnita, minha conta não bate, e continua pingando, a tinta continua pingando, mesmo eu tentando fechar...

  • Autor: Fantasma sem coroa (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de setembro de 2026 00:03
  • Comentário do autor sobre o poema: Se tudo isso fosse um sonho, preferia que me acordasse...
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: LF Text
  • Em coleções: Culpa, Melhores poemas.


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