Eu não sinto o mesmo

LF Text

Deixe arrastar, quero tentar salvar 
E mesmo que você me diga algo, não vai fazer diferença
Eu não sinto o mesmo, não consigo sentir o mesmo, não consigo mentir para mim mesmo 
Me deixe navegar, me deixe ir, não me deixe voltar, não confie em mim nas madrugadas 

Um olhar na visão da medusa, tão bela, tão catastrófica 
E eu pensei que havia aprendido a diferença, realmente pensei 
Mas me sinto tão bem, só que estou vomitando o veneno logo depois 
Se fosse para ser assim, melhor ser algo que servisse para algum propósito 

Tire os olhos, tire as mãos, tire o tato e os vãos 
Não quero perguntar, mas eu me sinto pior sabendo 
Ah, como é denso, ah, como é miserável, ah, como é insano 
Se sou caçador, por que tem uma arma mirando na minha cabeça?

Eu tentei guardar a caixa que ela me deu, mas as moscas invadiram 
Coloquei água, gasolina e bastante óleo, pode queimar, porque eu sinto também na pele 
Não quero contar, os dias, não quero sentir, a luxúria que lembro 
Por que desvirtuar algo que era tão inocente? Por que somos tão incoerentes? 

No meio da ferrovia, estou brigando com o meu melhor amigo 
Cada soco é uma grande razão, do que sobrou dele dentro de mim 
Só que no fim da linha, não sei se é o trem, ou uma luz no fim do túnel
Palavras enterradas dentro de mim, deixe fluir, deixe ir, eu. Não. Sinto. O. Mesmo....

  • Autor: Fantasma sem coroa (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de setembro de 2026 21:16
  • Comentário do autor sobre o poema: Me deixe ser levado, me deixe afundar, para que a minha poesia sirva de algo...
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: LF Text
  • Em coleções: Culpa, Melhores poemas.


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