Tempo Fechado no atol das Ba-rrimas

Michel F.M.


Quando aquele furacão
Tropical de palavras,
Se viu diante
Do ciclone das reflexões,
Não restou-lhe outra alternativa,
Senão aquela velha
Proposta indecente:
Nem que as consequências
Derrubem toda prosa
Acumulada,
Vamos juntos
Inundar o mundo
De poesia.
[Brükel Gonnifer]


Talvez todo aquele alvoroço tenha acontecido
não por acaso veio apenas pra nos reencontrarmos
e afinarmos nossos sentimentos
Foi dolorido eu sei mas a cura das feridas
veio logo em seguida com aquele abraço acolhedor
com aquele beijo inesquecível
naquelas juras de Amor eterno


E mais e mais poesia...
Que emerge dum atol no fundo do peito!
Por entre os abrolhos, e que me leva entre suas estrofes...!
E perfurando 'Pedras Rúnicas' pelo caminho
Nas quais se grava e se deixa como legado!
(DAN GUSTAVO)


Tempo fechou no atol das Ba-rrimas?
Atol
Cercado por corais
Ou cercado por mentes formais?
Ou ainda for- mais?
Corais? Formados por pólipos.
Pólipos?
Da família das anêmonas e das medusas
Estas, as medusas ou águas vivas
Que assombram os mares
Tanta coisa acontecendo lá fora
Acontecendo vida
Na terra
No mar
No ESPACO...
Tantas coisas por aí
Aínda há para pesquisadores
PES QUI SAR...
Teríamos ainda tempo
Para questionar o amor
E para AMAR?
Disso:ainda muito leiga
Anseio mesmo é isto
Pesquisar sobre como aprender a amar...


Ao adentrarmo-nos
No ciclone das idéias
Não mais vistas como borrões
E tão pouco ilusões
Provocadas pelas reflexões
Provindas das paixões
Sentidas agora na carne
Faremos surgir um resgate
Dos sentimentos que exalam dos corpos
Uma inundante cadeia de amor irá surgir
Como um tsunami poético à emergir.


E, sob o véu da razão já desfeito,
Irão despertar, em secreto,
os afetos outrora adormecidos,
quais flores em jardins esquecidos.
O peito, enfim, há de confessar
aquilo que a mente ousou ocultar;
e entre suspiros, febre e devoção,
o amor há de tomar forma no coração.
-tória


Atol das falácias
No atol dos vocábulos ateus,
Atos de elocução e discurso,
Expressam-se os verbos tão seus,
No oceano de termos em curso.
E eleva o vulcão da mensagem,
Pronúncias que ecoam ao vento,
Depoimento que rima coragem,
Na tropicália escrita o contento.
E vejo graça em tudo o que faço,
Nesse mundo que vim a passeio,
Não me envergonho do embaraço.
Pois não melindro no receio,
Continuo até o fim do cangaço,
Do cordel dou Adeus ao que leio.
- Jorge E. Leal


Será verdade,
Esse coletivo,
Palavras desconexas,
Rimas,métricas, re- começos,
E nessa ilha de ilhas,
Regaço perpétuo
De linhas em desalinhamento,
Lógicas distonicas, perfeitas,
Unissona dança marítima.


Talvez não haja ilha alguma.
Talvez sejamos nós,
pequenos continentes à deriva,
arrastados por correntes
que desconhecem seus nomes,
levando nas costas
o peso de arquipélagos inteiros
que nunca aprendemos a nomear.
E cada palavra,
antes de ser palavra,
era pedra.
E cada pedra,
antes de ser pedra,
foi montanha,
foi pressão,
um silêncio subterrâneo
amadurecendo na garganta da terra.
Assim também nós:
sedimentados de acontecimentos,
de abraços que não ficaram,
de beijos que ficaram demais,
de noites onde o pensamento
fez morada no teto
e esqueceu o caminho de volta.
Há um oceano dentro do peito.
E nele,
naufragam diariamente
navios carregados de certezas.
A razão,
essa bússola enferrujada,
que aponta para todos os lados
quando o coração pergunta
por um norte.
E então dizemos.
Não porque saibamos a resposta,
mas porque a pergunta
já criou raízes.
Escrevemos
como quem lança sementes
sobre um solo que talvez
nunca veja flores.
Como quem acende uma vela
num quarto que aprendeu
a gostar do escuro.
Como quem procura,
entre os destroços do próprio nome,
alguma coisa que ainda possa
ser chamada de eu.
E talvez a verdade seja essa:
um cloroplasto da alma,
pequena maquinaria verde
transformando a luz
que nos atravessa
em alguma espécie de esperança.
Mas há dias
em que até a luz parece morrer.
Dias em que o horizonte
se fecha sobre si mesmo
e tudo se torna
um enorme horizonte de eventos,
onde nem mesmo a luz
conseguem escapar.
E ficamos ali,
entre o que fomos
e aquilo que ainda não somos,
observando a própria queda
como quem contempla
uma estrela distante
depois que ela já morreu.
Ainda assim,
alguma coisa insiste.
Uma raiz.
Um vestígio.
Uma fonte.
Talvez seja o amor
essa estranha insistência
da vida contra o vazio.
Talvez seja a graça.
Talvez seja Deus
escrevendo, sobre a nossa ruína,
uma caligrafia que ainda
não sabemos ler.
E então compreendemos:
não é necessário
que todas as ilhas se unam.
Basta que,
em algum ponto do oceano,
uma delas deixe de ter medo
de ser alcançada.
Que o atol se abra.
Que os corais,
antes fronteiras,
tornem-se jardins aquáticos.
Que as palavras,
antes dispersas,
encontrem umas nas outras
uma margem infinita.
E que deste imenso
caos de vozes,
métricas e abismos,
surja, não uma resposta,
mas uma ponte.
Porque talvez escrever
seja exatamente isso:
construir uma ponte
com aquilo que em nós
ainda não desabou.
E atravessá-la,
mesmo sabendo
que do outro lado
há apenas mais mar.
Qual o seu amar?
Ebelac.
[S.D.G}


sair pra tomar um sol
mas está nublado no atol
até tinha pegado o meu anzol
pra pescar perto do farol
mas esse tempo mongol
fez eu ficar em casa tomando skol


Deixa o vento levar, deixa o pôr do sol não voltar
Estou indo, voltando, tanto faz
O tempo perfeito, está nublado, eu deveria estar satisfeito?
Misture a minha alma com a água, afunde e sirva de alvejante para algo maior
Fraco demais, alto demais, as horas passam, mas ainda continua nublado, vai continuar, eu também estou nublado - (LF Text)


Tudo é o que se diz de forma vaga
Sem estrutura, sem base, sem um pensamento holístico.
Assim sou eu o poeta quando as vezes me faltam ideias e pensamentos para descrever momentos não vivenciados pós são estes que me tornam num poeta e num escritor para escrever e confabular de forma vaga.


Uma puta de uma reflexão.
Nesse atol.
Existe poetas e poetas.
Uns precisam escreverem com letras garrafais que são poetas.
Já outros por si só os seus traços o dizem.
E por no faz de conta por sabermos onde se começa.
Deixem pra lá onde o sonho ira desapontar.
Afinal.
Somos ou não somos os fingidores.
Por Apegaua


E voltando ao furacão
Do início da poesia
Eis-me aqui, sem entender
O que o poeta sentia
Seria, amor?
Eu não sei
Mas também, como poderia
Pois se existe um furacão
Seja real ou ilusão
Sentimento ou emoção
Ainda que o abraço cure
Ainda que o beijo dure
Era só um furacão
Diante da destruição
Não há amor que perdure...
CON MOISES