Terapia Poética

Jorge E. Leal


Para curar o mal do século aceita,
Não preciso de receita por aqui,
Pois é catarse poética perfeita,
Escritoterapia que me fez sorri.
Na arterapia colho o meu achado,
E não importa se doce bagagem,
Na face sofrida fica o recado,
Vale a pena a linda viagem.
O quarto escuro não clareia em vão,
Em todo esse dilema sigo a trilha,
Dou asas a viagens da emoção.
Vivendo o sonho a musa amada,
Com muita ternura em meu coração,
Não vejo desafios, mas bela fada.
- Jorge E. Leal


Quando abres os olhos, o mundo desmonta relógios que sangram
números verdes.
Os minutos são larvas brilhantes,
e o futuro—ah, o futuro —
é um cristal rachado na garganta.
Vida e Morte mastigam meu peito
com pegadas de âmbar e aço.
Seus passos deixam marcas de fumaça—
e meu coração é um mapa
de ruínas em câmera lenta.
O pior artista nos escreve como fadas,
mas nossas cores voam da tela,
gotejam no chão, viram serpentes
e sobem pelas cortinas do tempo.
Agora somos um delírio ambulante:
eu, a fada de veneno e mel,
tu, o anjo com asas de formiga...
e o amor, um cogumelo azul
a crescer no meio do caos.
Se apertarmos os olhos, talvez
o universo desabe em sílabas secas,
e tudo—tudo—seja apenas 
o riso de um deus ébrio
escorrendo pelas nossas pernas.
[de Ayalah Verônica]