Carta para Joicy

Manoel Reid

Nossa prosa se matou
Num mesmo instante
No devido instante
Em que servimos
Ao nada, ao abismo
À distância que incorre
Entre nossas vozes

 

Que não vingue agora
Mas não brote nunca
E nem dê frutos
Quando tu nem sabes
Que eu te cavo
Todos os dias
Sem deixar rastros

 

Vês? Diga.
Obediente, rápido.
Disposta e sorridente
Para que eu me acalme
A graça é clara
O charme está
Em ser negado

 

Gestos crípticos
E libras tântricas
Não me fazem
Não me sabem
Não, Joicy,
Não lhe terei
De mau grado

 

Desejante, podes vir
Fogosa, se puderes
Mas se teu busto amansa
E as entranhas dormem
Quem dirá, meu bem
Que foi verdade,
Que foi vontade?

 

Não, Joicy, eu duvido
Que tua boca dobra
Que teu cheiro mente
E tuas pernas abrem
Só por capricho
E que teu gozo
Seja só acaso

 

Eu cato as deixas
As viradas, os retoques
Os bombordos, as estivas
De qualquer trejeito
Ou melhor dizendo
De todos os modos
Em que me chamas

 

Mãos que falham
Mãos trabalham
Em me dopar
Em te provar
São essas tuas
Que me alisam
Nas entrelinhas

 

Quero ser dominado
Humilhado, debulhado
Por seus gemidos, estilhaçado
No teu ventre, encharcado
De uma ideia vil
Violenta e doce noção
De mulher

 

Tez morena, e tão rubra
Que me lava em tua vulva
Em tua boca, agridoce
Faz-me servo do teu ego
Renuncio, ao teu esmero
Desmonta-me, faz fluir
O jorro que não cessa

  • Autor: Manoel Reid (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de setembro de 2026 19:56
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 3


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