A morte do poeta

Epaminondas


Talvez eu não amanheça vivo, talvez tudo
tenha sido em vão. Quem define isso, se não
for eu?
Me embriagando com o veneno diário que
insisto em servir a mim mesmo, enquanto me
amordaço para calar a voz que anseia ser
ouvida...
Quanta ironia, morrendo pelas próprias
mãos, um poeta manchado com o sangue
que cuspiu diante do espelho.


Eu sou o maior poeta
Que tive a honra de conhecer.
Eu sei o maior poeta
Que tive a honra de conhecer.
Não sei se o maior poeta
Que tive a honra de conhecer,
Cessou no maior poeta
Que tive a honra de conhecer.
Ao mentir para si mesmo
Fala inverdades diante outros.
Agora o poeta está morto,
Vida longa à poesia.
[B.M.F. Margoni]


Talvez não amanheça.
Talvez tudo tenha sido
um ensaio do vazio.
Quem decide?
Eu, que me sirvo o veneno
em taça de silêncio.
A voz quer sair.
Eu a amordaço com versos.
Ela sangra em mim.
O espelho ri.
Cuspo sangue sobre o vidro.
O vidro não mente.
Amanhã? Pular, talvez.
Mas a noite é minha amante
e não me solta.
Morrer pelas próprias mãos—
que final tão perfeito.
Quase um poema.
Quase.
[de Ayalah Verônica]

  • Autores: Epaminondas (Pseudónimo, Michel F.M., Ayalah Berg
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 20 de setembro de 2026 06:59
  • Limite: 6 estrofes
  • Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
  • Categoria: Não classificado
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