Muro das Lamentações

Jorge E. Leal


Julian Lael
No quarto escuro, o silêncio da noite;
O tempo ecoa e escorre nas paredes.
Aquele que não sonha é puro açoite;
Solidão se perde em horas nas redes.
Brotam mil flores em suas fantasias,
As estrelas choram lágrimas serenas,
Que nos consolam nas noites por dias,
Tracejam suas histórias mais amenas.
Penso se sou ou se sinto tamanha dor,
E, nas falhas humanas, ser frágil opção...
Sentimento endurecido, seja o que for.
Bate muito forte o sentido da emoção:
O mundo se perdeu no tom de sua cor;
Fala mais alto a voz que cala o coração.


Olhaste ao redor
E não viste nada.
Olhei ao redor e não vi também.
De novo a sensação de inércia.
Estagnados na neblina
Turva, olhamos pros lados
Para atravessar, quando
O perigo estava abaixo de nós.
Tão bem nos esquecemos
De olhar para cima, quando
Era a retaguarda que nos
Preocupava.
Mas não se esqueça,
Daquela lembrança escorregadia,
Que virou-mexeu nos escapa
Pela memória franzina.
Apesar do futuro incerto
E das embaçadas suspeitas,
Do que possa ou não vir-a-ser,
Nós mudamos o mundo
Uma última vez,
Hoje mais cedo.
[Michel F.M.]


Belas Inconstantes
Noite escura à bela estonteante,
Vento e mar se entregam por inteiro;
Helene vê o mundo retumbante,
Em fúria Ida segue o seu roteiro.
Irma desafia o bravo marinheiro,
Onde a nau histórica range os dentes;
A mão de Vera muda o picadeiro,
No toque das ninfas mais imponentes.
Indo Maria em sua travessia,
Cortando o céu com o nome marcado,
E Katrina doa ao vento sinfonia.
Nas curvas do mundo deixam legado,
A terra se curva enquanto nostalgia,
As musas que brilham, o recado.
- Dodge Leal



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