363 graus

Michel F.M.


Olhaste ao redor
E não viste nada.
Olhei ao redor e não vi também.
De novo a sensação de inércia.
Estagnados na neblina
Turva, olhamos pros lados
Para atravessar, quando
O perigo estava abaixo de nós.
Tão bem nos esquecemos
De olhar para cima, quando
Era a retaguarda que nos
Preocupava.
Mas não se esqueça,
Daquela lembrança escorregadia,
Que virou-mexeu nos escapa
Pela memória franzina.
Apesar do futuro incerto
E das embaçadas suspeitas,
Do que possa ou não vir-a-ser,
Nós mudamos o mundo
Uma última vez,
Hoje mais cedo.
[Michel F.M.]


Um mundo novo...
Lembras-te do velho, que não querias lembrar?
Eu prefiro-o àquele que me apartou,
sabendo que fui,
à esperança deste:
apenas hipótese,
acolhido no esquecimento.


E talvez tenha sido isso,
Ou talvez não.
Há coisas que acontecem
Antes de acontecerem.
Um passo adiante,
Dois para dentro,
E já não sabemos
Se caminhamos
Ou se fomos levados.
A neblina não baixou.
Nós é que envelhecemos dentro dela.
Olhamos para trás
E era outro caminho.
Olhamos para frente
E já não havia estrada.
Ainda assim,
Alguma coisa permaneceu.
Um ruído,
Um gesto,
A sombra de uma escolha
Que não lembramos de ter feito.
E quando o dia nasceu,
Tarde demais para o ontem,
Cedo demais para o depois,
Nós mudamos o mundo
Sem perceber.
Ou talvez
O mundo tenha mudado nós.


O destino
Ou subconsciente?
Sabendo que dentro há um menino
Não ligo ao presente
O olhar do futuro
O sangue quente
E ter de escalar um muro
Pra me ver diferente
Foge a sete pés
Abriga-te do frio
Mostra-me quem és
Ao banhares teu corpo no rio
Aff...destino cruel
Que me deixas ver quem quero
Mas não saboreio o mel
Desse amor sincero
[Alex Castela]


Andando naquela neblina, seguindo a estrada das flores
de vestido preto, de chapel preto
apenas o que coloria eram as flores
Tudo correndo em 363 graus
Algumas luzes iluminavam a estrada
guiada por elas fui caminhando
até o doce amanhecer
onde o sol me abraçou com seus raios
me aqueceu do frio da madrugada


já não sabia se caminhava para algum lugar
ou se apenas me afastava de onde vim
as horas começaram a não fazer mais sentido
era como andar em círculos
já não respirava como antes
algo tinha mudado
não por fora
é como se o caminho me levasse de volta
de onde parti.
mas dessa vez, diferente.
não sei dizer o que havia mudado.
a estrada era a mesma,
as flores ainda estavam ali,
mas eu já não era a mesma
que havia partido.
[Ingrid Anjos]


Onde vivo?
Não sei!
No 363°?
Talvez!
Sei que vejo
Além.
Passo um pouco dos limites?
Talvez!
Não é por querer
Mas vejo além do que você.
Quando percebo
Já estou lá
E não consigo
Mais voltar.


O tempo levou até meus pensamentos
Tudo ficou fragmentado no passado distante
Mas a vida continuou a passar
Como poderia ser melhor do que antes?
Como a fênix preciso renascer
E se moldar aos desafios constantes
Ainda que o mundo ao redor venha se perder
Devo extinguir o que em mim não é importante
A um preço a pagar para vencer a dor,
entre a força e a ilusão do meu querer.
As cinzas recolherei do chão,
Em teus braços descansarei no amor.


E o tempo, em sua marcha, não espera,
leva consigo o que não pode ficar.
Cada segundo muda a primavera
de quem aprendeu, mesmo ferido, a continuar.
Talvez a vida seja feita de voltas,
de quase chegar ao mesmo lugar,
carregando no peito as derrotas
e tudo aquilo que nos fez mudar.
Trezentos e sessenta e três graus,
uma volta que não chega ao fim.
Há sempre um instante depois do adeus,
um novo caminho nascendo em mim.
E quando o relógio recomeça a girar,
já não reconheço os passos que dei.
O tempo me levou por outro desvio,
e, no que ficou, também me encontrei.


Vez ou outra ainda volto
àquela fria neblina,
onde nos despedimos.
Buscaste memórias cinzas,
onde ainda encontro vívidas lembranças.
E esse velho chapéu preto,
preso às tranças
que tão delicadamente fizeste hoje cedo,
ainda guarda um segredo
que morrerá com a esperança.
Não há mais o que buscar no passado.
Tateamos, com medo,
este denso labirinto
que criamos no degredo.
Levantamos muros altos demais
e agora não há como fugir
desta prisão que, contra minha vontade,
ajudei a construir...
Thais Almeida, 17/09/26.


Nessa reviravolta
Meus medos sempre voltam
Peço teu colo
Peço teu apoio
Mesmo com todas as incertezas
Retomo o ponto em que um dia parti
Você me viu sumindo
Caminhandp em círculos
Olha, olha! Estou aqui
Posso ouvir seu coração batendo
By: Shmuel


Cochichos...
O por que de tão triste o meu caminhar.
Com os olhos afogado na magoa que nem me deixa sorri.
Ignoro para não chorar.
Se para me agradar.
A natureza se veste de verde.
Tão bela e graciosa.
Como que se a dizer.
Tão metido como que se um grão de areia no deserto.
Se achando o inicio.
De sua própria tempestade.
Apegaua


Se um dia a neblina se dissipar
E me for permitido ver atrás da cortina
Acho que vou chorar antes de entender
Depois irei descansar um pouco sem pensar em mais nada
Amortecer a dor
Adormecer


Lembrarei dos dias em que fomos felizes
E de como o clima era interruptor
Escreverei seu nome na parede
Como um sinal de que nunca esqueci seu amor
E mesmo que a neblina me consuma por completo
Minha mão sempre estará limpa para que você possa agarrar e seguir em diante
Já que não fui eu quem pode te fazer feliz
Espero que nestes 363 graus encontre alguém que faça o que eu não fiz