Atrevida, menina!
Desde pequena fui chamada assim: atrevida, birrenta, chata, maloqueira, descarada, respondona, rebelde, briguenta, irada, raivosa, descabelada, menininha feia, descontrolada, desatinada e malandra. Mas, no fim, era eu quem dançava balé, recitava poesias e decorava palavras difíceis.
Desde jovem, fui chamada assim: atrevida, menina, maloqueira, descarada, respondona, rebelde, insensata, raivosa, irritante, bonita demais, descontrolada, desatinada e malandra. Mas, no fim, era eu quem tirava 920 no ENEM e dava orgulho aos pais.
Agora, adulta, ainda sou: atrevida, menina, maloqueira, descarada, respondona, rebelde, insensata, raivosa, irritante, bonita além da conta, descontrolada, desatinada e malandra. Mas, no fim, sou eu quem é exemplo. Eu sou: a prima modelo, a intelectual, a esperta, a resolvida, a diplomata, a faceira, a bem de vida, a que resolve, a que não se cala, a que não leva desaforo, a que sabe dizer, a que argumenta, a que manda, a que tem senso crítico, o forte posicionamento político, a que diz não, a que diz “chega”, aquela que sabe o que faz.
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Autor:
Thessa (
Offline) - Publicado: 15 de setembro de 2026 19:13
- Categoria: SociopolÃtico
- Visualizações: 5
- Em coleções: Pecados de Infância.

Offline)
Comentários1
?O teu poema é um eco, um aviso!
A voz poética recusa o papel de conformismo esperado tradicionalmente das mulheres, mostrando que a inteligência, o sucesso e o respeito foram alcançados sem a necessidade de anular sua própria personalidade forte.
Abraços
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