Faço riscos contando os dias,
ansioso, espero que logo chegue
o outro dia, para mais um risco
Quero durar,
preencher as paredes
moro só e com meus riscos
Gosto tanto de riscos
que não corro riscos
durmo cedo, acordo cedo
não gosto do barulho de motor
por isso ando de bicicleta
tomo água, sigo a dieta
e faço visitas regulares ao doutor
ele reforça, vais durar
Tenho orgulho dos riscos
dos que faço e dos que não corri
não bebo, não fumo,
não vou em aglomerações
evito me entregar às paixões
Estou passando ileso
e creio que assim será
até o último risco
e confesso que agora
já na velhice por tanto durar
me sinto pedra, a mesma
que usei para fazer os riscos
agora vejo claramente
a falta que me fazem
os riscos que não corri
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Autor:
F. Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 15 de setembro de 2026 12:04
- Comentário do autor sobre o poema: Baseado no conselho de um senhor que conheci, amizade anônima que durou apenas o tempo necessário para que a sua senha fosse chamada. Estávamos ambos na mesma fila, ele na preferencial, e me disse: seja prudente, mas não fique apenas riscando dias na parede da cela que chamamos vida. Arrisque-se, corra o risco de ter alguns dias de liberdade...
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 16
- Usuários favoritos deste poema: Damião Rodrigues, Michel F.M., Apegaua, Ayalah Verônica Berg, Queiroz Francisco
- Em coleções: Silêncios, Urbano.

Offline)
Comentários2
A escolha das palavras foi perfeita. Cada verso se encaixa de forma harmoniosa.
Bom dia, Michel
Obrigado pela visita, fico feliz que tenha gostado...
Abraços...
Tem truta nessa treta.
O FM. não e de comentar ninguém.
Confesso que já iria terminar eu e esfomeado a nossa amizade com você e o fantasma.
Por que quem fica marcando parede assim e preso. No mínimo pensei, Francisco surrupiou um bife de picanha para o fantasma.
Mas depois vi que me enganei, afinal você nem trabalhou no Banco Master.
Então, a fala pode voltar atrás pensamentos não.
O Dito voz complicou, mas ficou perfeito.
Desculpas, pelos daqui, querendo ver os dai de paleto listrado.
Apegaua
Credo, amigo!
Nunca usei nada listrado nem meia, e paletó só preto e sem listra, alugado por poucas ocasiões em que é exigido por alguma etiqueta social. A prisão de que falo é o comodismo, a ilusão do seguro, os mesmos que deixam o bicho homem enclausurado desde a época de Platão e sua caverna...
E o senhor que me deu esse conselho de se arriscar mais é aposentado pelo Banco do Brasil, ainda bem que não é esse tal de Master, que pelas bandas dos pobres aqui nunca se ouviu falar...
Abraços!
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