Certos Riscos

Francisco Queiroz

Faço riscos contando os dias,
ansioso, espero que logo chegue
o outro dia, para mais um risco


Quero durar,
preencher as paredes
moro só e com meus riscos


Gosto tanto de riscos
que não corro riscos
durmo cedo, acordo cedo
não gosto do barulho de motor
por isso ando de bicicleta
tomo água, sigo a dieta
e faço visitas regulares ao doutor


ele reforça, vais durar


Tenho orgulho dos riscos
dos que faço e dos que não corri
não bebo, não fumo,
não vou em aglomerações
evito me entregar às paixões


Estou passando ileso
e creio que assim será
até o último risco


e confesso que agora
já na velhice por tanto durar
me sinto pedra, a mesma
que usei para fazer os riscos


agora vejo claramente
a falta que me fazem
os riscos que não corri
 
  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 15 de setembro de 2026 12:04
  • Comentário do autor sobre o poema: Baseado no conselho de um senhor que conheci, amizade anônima que durou apenas o tempo necessário para que a sua senha fosse chamada. Estávamos ambos na mesma fila, ele na preferencial, e me disse: seja prudente, mas não fique apenas riscando dias na parede da cela que chamamos vida. Arrisque-se, corra o risco de ter alguns dias de liberdade...
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 8
  • Usuários favoritos deste poema: Damião Rodrigues, Michel F.M., Apegaua, Ayalah Verônica Berg
  • Em coleções: Silêncios, Urbano.
Comentários +

Comentários2

  • Michel F.M.

    A escolha das palavras foi perfeita. Cada verso se encaixa de forma harmoniosa.

  • Apegaua

    Tem truta nessa treta.
    O FM. não e de comentar ninguém.
    Confesso que já iria terminar eu e esfomeado a nossa amizade com você e o fantasma.
    Por que quem fica marcando parede assim e preso. No mínimo pensei, Francisco surrupiou um bife de picanha para o fantasma.
    Mas depois vi que me enganei, afinal você nem trabalhou no Banco Master.
    Então, a fala pode voltar atrás pensamentos não.
    O Dito voz complicou, mas ficou perfeito.
    Desculpas, pelos daqui, querendo ver os dai de paleto listrado.
    Apegaua



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.