Poema: Mistério da Cruz

Gino, Sinvaldo de Souza



Mistério da Cruz
 
O vento carrega o peso do silêncio,
onde a madeira antiga beija o céu.
No cume do mundo, o tempo para,
desfazendo a noite feito um véu. 
 
Não há grito, apenas o cansaço
de quem carrega o mundo no olhar.
As sombras desenham no solo seco
o desenho exato do verbo amar.
 
A seiva do lenho se mistura ao pranto,
o ferro frio abraça a própria vida.
Mistério que a razão humana rejeita:
a cura que brota da carne ferida.
 
Dois braços abertos tocam os extremos,
unindo o poente ao amanhecer.
No altar de terra e pedras nuas,
morrer é o único modo de erguer.
 
Resta a moldura contra o infinito,
vazia de corpo, mas cheia de luz.
O enigma do amor que tudo entrega
escrito no silêncio que a cruz traduz.
Comentários +

Comentários2

  • Queiroz Francisco

    Ficou excelente, é uma cena muito forte, muito bom o fechamento, parabéns, amigo!

    Abraços...

    • Gino, Sinvaldo de Souza

      Obrigado, amigo!!! Fiz uma música e depois a coloquei como poema, quando terminei, deitei na cama e fui ouvi-la, não precisa acreditar, mas fui ouvindo e chorando, uma experiência profunda de Deus, como Ele deu tamanha graça para que conseguisse tal profundidade!

    • Nalva Melo ( E.S.M)

      Lindo poema! parabéns poeta!



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