Há um momento em que a boca se cansa de ser apenas carne
e exige ser idioma.
Desabotoo as sílabas com calma,
sem a pressa estúpida dos que apenas tocam.
Quero a sua mente primeiro —
essa dobra secreta atrás dos seus olhos
onde o desejo aprende a respirar fundo
antes de descer pela espinha.
Escuta.
Cada consoante que escolho
tem o peso exato de um dedo roçando a parte interna da sua coxa.
Uma pausa. Um hiato.
O tempo que a pele leva para entender a ameaça.
Não tenho pressa alguma.
A palavra certa, sussurrada na cadência exata,
mexe nos seus nós mais antigos,
desarma as suas certezas
e faz a sua respiração esquecer o caminho de volta.
Deita a cabeça no verso.
Deixa que o ritmo lento da frase
vire um atrito constante no seu pensamento,
um vaivém de metáforas vivas
até que a sua razão perca o equilíbrio
e a ideia da minha mão na sua pele
seja a única coisa que sobrou no quarto.
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Autor:
Versos Discretos (
Online) - Publicado: 14 de setembro de 2026 12:01
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 6

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