POR TRÁS DA MÁSCARA

Ayalah Verônica Berg


Às vezes, somos diferentes.
Bonecos de carne no palco —
beleza e desejo, olhares no vazio.
O café amargo, sexo e um breve despertar
antes do sono de onde viemos.
E no fim, quando a cortina se fechar,
restará o silêncio.
A escuridão.
E a tênue lembrança do que hoje
encenamos.  
[de Verônica Berg]


FELICITY_POETA
Abaixo do olhar que o mundo vê,
moldamos a pele do dia.
Rimos com dentes emprestados,
engolindo a tempestade que ardia.
Usamos a festa para esconder o silêncio,
o riso fino que protege a ferida;
cada gesto é um teatro ensaiado,
uma pergunta sem saída.
Quando a noite despe a plateia
e as luzes se apagam sem alarde,
tiramos a armadura pesada
e ficamos com aquilo que arde.
No espelho cansado da casa,
o rosto despido que ninguém conhece:
a máscara cai em silêncio
e a alma respira e aparece.


O eu no espelho é uma dualidade,
Ele finge que não mais te ama.
Ele nasceu da nossa instabilidade,
De um breve exintiguir da chama.
Eu não concordo com a outra face,
Mas ela me provoca a não te querer.
Espero que não seja realmente tarde,
O meu disfarce cai por terra ao te ver.
Você é a dona de todos os meus eus,
Não se pode o amor enganar.
Aceite-me de volta aos braços seus,
E com olhos de adeus nunca mais ei de te olhar.


Entre máscaras e verdades, navegamos,
Na busca incerta de quem realmente somos,
Entre o silêncio que cala e o grito que resta,
A vida se revela, eterna em seus tons.
By: Pietro G. Piazera.


Por trás da máscara que o mundo vê,
Há um coração que sente, ama e resiste.
A face que mostro é só uma parte,
Mas o verdadeiro eu está mais profundo.
— Milton da Costa ????


Máscaras: todos têm as suas coleções.
Pagamos com as nossas vidas
para sermos admirados,
como no instante de uma foto
postada para gente anônima,
gente que inventamos.
Queremos plateia,
nem que seja para a vaia.
Mas nem todo tempo é de máscaras:
aí vem uma santa chamada crise
para arejar o nosso rosto,
lava-nos com lágrimas.
Quebramos muitas máscaras,
agora é tempo de renová-las.
(Francisco Queiroz)


Toda verdade é máscara,
Toda dor, invenção.
Invenção de memórias loucas.
Ilusão que escorre, mas não cura,
Minha máscara e meu humor.
Humor? Não, apenas cinzas
De um carnaval celestial.
Levo teu riso na veia mais doce,
Onde até a morte é banal.
Testemunha só a lua,
Sabendo que tudo é engano.
Engano? Mas tão bela,
Como poeira no ar noturno.
Desfeita, ainda cintila —
Fantasma de um verão eterno.  
Eterno? Não, apenas agora,  
Este instante onde existimos.  
Máscaras caem, amantes viram lenda,  
E sem máscara — mentimos, mentimos.  
por Morlock

Comentários +

Comentários6

  • Jaudhwhiqnwhdjwjdb

    O teatro dos cínicos e dos hipócritas

    Poderia eu falar aos hipócritas sobre sua dissimulação,
    que oculta a verdade por trás de máscaras,
    como um ator, interpretando em cada ato
    uma peça teatral, que em cada cena,
    faz sua subdivisão de um tema,
    onde se dissolve no disfarce do cotidiano.
    Falaria eu aos que fingem ser o que não são, através da sua religião, ideais, sentimentos, virtudes, paixões e até por uma compaixão!?
    Como apenas sombras de si mesmos,
    enganando os outros, e talvez a si próprios?
    Poderia eu espalhar minhas palavras entre os cínicos,
    aqueles que, com seu sarcasmo e puro deboche,
    caminham por um mundo de indiferença e escárnio,
    com seus atos que refletem um tipo de descaramento?
    Mas, qual cinismo seria esse de que falo?
    O daqueles que, com desdém, rejeitam as convenções sociais,
    vivendo sem posse, sem ostentação,
    acolhendo a virtude na simplicidade de uma vida despretensiosa,
    ou daqueles que zombam da moralidade com sua postura desconstruída, com a ironia como seu
    manto?
    E, então, me pergunto...
    Por que me refiro a esses cínicos,
    a esses hipócritas, a essas máscaras que vos envoca?
    Será que, em minha busca, não sou também parte da peça?
    Se me faço de tonta e sonsa,
    sou próprio escarnio do meu papel!

    Ana Paula Gonçalves.

    • Morlock

      Muito bom teu poema — ele tem uma força reflexiva muito clara e um tom de questionamento moral e existencial que sustenta bem o tema da Verônica. Linda poesia!

      • Ayalah Verônica Berg

        Obrigada por participar, no próximo, te aviso com antecedência por DM, e vou aumentar o número de versos.

        • Jaudhwhiqnwhdjwjdb

          Obrigada. Eu demorei um pouco, mas se puder avisar eu reformulou mais rápido. Gratidão!

        • Versos Discretos

          Sem máscaras, mentimos até a última gota de ar.
          O peito despido descobre o abismo do outro,
          e o amor, assustado com a própria luz,
          inventa um novo disfarce para poder ficar.

        • Shmuel

          Que pena! O prazo da minha participação venceu. Mas deixo aqui no comentário a minha contribuição. Abraços!

          Por trás da máscara há o riso escondido,
          A persona tão grata.
          Por trás da máscara há
          Um Romeu,
          Uma Julieta em suspiros.
          Há um herói atemporal,
          Um palhaço esforçado.
          Por trás da máscara, estou eu
          E o cavaleiro solitário,
          Meus Zorros, meus Batmans
          E todas as minhas lembranças coloridas em papéis machês.

          By: Shmuel

          • Ayalah Verônica Berg

            Olá Shmuel, foi muito rápido que preencheu 7 estrofes. Culpa minha, eu não gosto de poemas com muitas estrofes, preguiça de ler... hehe. Mas no próximo, te aviso com antecedência por DM. Obrigada por participar.

            • Shmuel

              Obrigado! O tema escolhido foi ótimo e meu deu gatilho.

              Abraços!

            • Sergio Neves

              SERGIO NEVES - ...parabéns a todos os participantes...,...a Ayalah parece que acertou em cheio ao trazer esse tema...,...o pessoal aqui "botou pra quebrar"...,...todos muito bons textos,...muito bons mesmo! (...e uma "menção honrosa" para o comentário da Ana Gonçalves...) /// Abçs.

            • patrick silva

            • Mara

              O mundo me vê com o riso estampado,
              Caminhando segura na luz do salão.
              Mas trago um segredo bem guardado,oculto nas sombras da minha ilusão.
              A face perfeita que a todos engana,
              Esconde o cansaço de tanto fingir.
              Por trás da armadura da alma humana,
              Existe um desejo profundo de fugir.
              Ninguém adivinha a dor do silêncio,
              Nem vê a ferida que insiste em sangrar.
              No palco da vida, no qual me presencio,
              Eu sigo o teatro até o dia acabar.
              Mas quando a noite devora a cidade,
              A máscara cai e o espelho revela
              O choro guardado e a dor de uma alma atribulada.
              Mais uma vez me perdoe por não conseguir participar, mas insisto em deixar um pouco de mim neste lugar.....



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