ATO I — OBSERVADA
O quarto retém o peso da tua presença na penumbra,
um contorno imóvel na poltrona que consome todo o ar.
Sei exatamente o momento em que teu olhar se fixa na minha pele,
um sopro quente que me atravessa e acende um desejo quase doentio.
Não me escondo: pertenço à tua retina, mas a condução do jogo é minha.
Devagar, minhas mãos deslisam pelas clavículas e contornam o peito,
deixando os dedos demorarem nos mamilos enrijecidos,
traçando o desenho exato da fresta que você devora à distância.
A respiração falha, o peito arfa, e a tentação de ser vista me embriaga.
Minhas palmas descem pelo relevo do ventre, buscando a tensão que incendeia o quadril,
enquanto afasto as pernas na lentidão exata para expor a minha própria entrega.
A ponta dos dedos alcança o centro quente entre as coxas,
m??bida, entregue ao ritmo urgente que a tua testemunha silenciosa exige.
Arqueio o quadril no lençol, a pele queimando, tomada por uma excitação obsessiva,
deslisando os dedos na humidade densa enquanto teu olhar me devora por inteiro.
Há um tremor que me rasga de baixo a cima, um frenesi implacável que não disfarço—
gemo contra a penumbra, ciente de que cada espasmo do meu corpo
é a prova absoluta de que eu comando a tua sede e a minha própria ruína.
ATO II — OBSERVADOR
A penumbra da poltrona me fixa ao chão enquanto te observo,
testemunha paralisada do ar quente que a tua pele emana.
Sei o exato instante em que percebes minha presença velada,
e o modo como aceitas ser devorada pela minha retina sem recuar.
Tuas mãos começam o trajeto lento pelas clavículas e descem pelo peito,
os dedos demorando no relevo dos mamilos rígidos que o meu olhar cobiça.
Ver a tua respiração falhar e o peito arfar sob o comando do meu silêncio
acende em mim um desejo obsessivo, uma sede aguda de ver até onde vais.
Tua entrega não busca abrigo: é uma exibição calculada do teu próprio domínio.
As tuas palmas descem pelo ventre, contornam a tensão do quadril
e afastam as pernas sem apressa, expondo o centro da tua própria chama.
Vejo os teus dedos alcançarem a humidade densa entre as coxas,
o ritmo urgente arrebatando o teu corpo enquanto a tua pele queima sob o meu escrutínio.
O teu quadril se arqueia no lençol, colhendo o tremor que te rasga de baixo a cima,
e o teu gemido na penumbra me confirma o jogo em que sou teu prisioneiro:
mesmo imóvel na sombra, tragado pela tua excitação,
sou a testemunha imóvel da cena que tu conduzes do início ao fim.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 11 de setembro de 2026 10:20
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

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