Boneca Benedita

Palastra

Tu, que só atrapalhas dos outros suas vidas,

Não mereces a mim, boneca Benedita.

De brinquedo, meu corpo é.

Sangriolento e cheio de longínquos tubérculos, meu coração se põe de pé.

Contrai-se por inteiro, agitadamente, 

Quando minhas janelas da alma captam sua figura delinquente.

 

Como um estúpido predador que com sua presa brinca,

Desejas ter meu corpo, e dele extraviar vida.

És de uma aparência engomada,

Ausente de tudo aquilo que lhe falam.

Das extensas e sábias árvores, ordena que pássaros saiam.

Egocêntrico, bestialmente, repudia os amores que exalam os adoráveis docentes.

 

Labia tens para enganar passivos fracos;

Porém, não a mim, que há muito carrega pesados fardos.

"Crueldade!", exclama sua miserável alma.

Oh, besta enjaulada, pegue suas coisas, saía pela porta e não perturbe mais minha calma!

Nesta casa de bonecas, permanece apenas as exaustas de por toda a vida serem usadas.

  • Autor: PaLasTra (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de setembro de 2026 15:29
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
Comentários +

Comentários1

  • Shmuel

    Gostei demais!

    Versos com rimas toantes e ocasionais (brinca/vida, fracos/fardos, engomada/falam), garantindo uma cadência fluida, quase teatral, focada na intensidade da mensagem falada.

    Abraços

    • Palastra

      Olá!
      Muito obrigado pela avaliação.
      Abraços!



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