Não foi em um dia ensolarado,
nem em uma noite de jantares extravagantes.
Não houve flores à minha porta,
nem música tocando ao fundo,
nem qualquer sinal de que alguma coisa extraordinária estava prestes a acontecer.
O amor chegou em uma terça-feira qualquer.
Chegou no meio dos dias comuns,
quando a vida seguia seu curso sem saber que estava prestes a mudar.
Chegou quando eu olhei em seus olhos
e, por algum motivo que ainda não sei explicar,
eu me vi.
Talvez tenha sido ali.
Naquele instante pequeno demais para parecer importante,
mas grande o suficiente para mudar tudo.
Ele chegou sem fazer alarde,
sem caos, sem promessas grandiosas,
sem precisar ser anunciado.
Chegou devagar,
quase como quem pede licença.
E quando percebi,
já tinha feito morada em mim.
Já estava nos meus pensamentos,
nas músicas que passaram a ter outro significado,
nos sorrisos que apareciam sem motivo,
na vontade de contar as pequenas coisas do meu dia.
O amor não chegou como eu imaginava que chegaria.
Não veio como tempestade.
Veio como casa.
Leve, mas não raso.
Calmo, mas não morno.
Inteiro, mas sem exigir que eu deixasse de ser quem sou.
Veio intenso.
E talvez essa tenha sido a parte mais bonita:
pela primeira vez, intensidade não significava dor.
Era possível sentir muito
sem precisar sofrer por isso.
Era possível baixar a guarda
sem que alguém usasse a minha vulnerabilidade contra mim.
Era possível amar
e, ainda assim, sentir paz.
O amor chegou em uma terça-feira qualquer.
E desde então,
alguns dias deixaram de ser apenas dias.
Porque agora existe você neles.
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Autor:
May Darling (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de setembro de 2026 09:47
- Categoria: Amor
- Visualizações: 4

Offline)
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