Na peleja desleal,
eu devotava uma ovelha.
Mas eu era um porco-espinho
e, por isso, tudo que eu fazia
a ovelha repelia.
Por quê? Para quê?
Para que, um dia,
estivesse abraçada
diante de um bicho-papão.
Um lobo? Não sei.
Ele era formoso, volumoso,
como um balão cheio de ar.
A ovelha o bajulava
como à própria divindade Rá.
E eu, que entreguei minha alma,
eu, que era um copo cheio d'água,
transbordava-me sobre ela,
um copo menor, incapaz de receber
a água que eu derramava.
Minha dádiva foi ser descartado,
engavetado como um pária.
Chega! Sabe o que quero?
Quero que se ferrem as ovelhas.
Que essa ovelha seja entregue ao lobo.
Que o destino lhe ensine
o carma da minha dor,
o preço das minhas lágrimas,
que um dia
hão de ser vingadas
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Autor:
Mohammed (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 9 de setembro de 2026 01:19
- Comentário do autor sobre o poema: Ao contrário da maioria dos meus outros poemas nada felizes, este para mim evoca uma tristeza que deixou de ser pura, misturando-se com outros sentimentos. A inspiração é a mesma, mas o olhar sobre essa inspiração, talvez não...
- Categoria: Triste
- Visualizações: 1
- Em coleções: Espólios Póstumos.

Offline)
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