Entre páginas ao vento

Guilherme Rodrigues



Conheço o que existe além das estrelas
e aquilo que repousa no mais profundo mar.
Estou sempre ao seu lado,
mas você parece nunca estar realmente lá.

Você está sempre partindo,
sempre se afastando, 
e lentamente as ondas do mar vão te levando. 

Eu reconheço esse caminho.
Sei exatamente onde ele o leva.
E se você for até o final.
Eu sei que não suportarei outra tragédia.

Talvez um dia você compreenda
o meu silêncio,
a verdade escondida
por detrás da minha solidão,
as cores por detrás dos meus olhos
mergulhados em escuridão.

Por detrás de nossas silhuetas quebradas,
eu sinto a dor.
Eu a reconheço em seu olhar.
Eu a sinto todos os dias,
mesmo quando fecho os olhos
na esperança de dela me afastar.

Mas agora sou eu
a questão que você deve responder,
um significado perdido
que cabe a você interpretar.

Faça o que for preciso.
Faça o que precisar.

Desvaneça-me.
Enterre-me.
Esqueça-me.

Nunca mais fui o mesmo.

Perdido entre versos,
canções e lamentos,

sou apenas páginas
soltas ao vento,

restos de um livro
que o tempo esqueceu —
um livro que chegou ao fim
antes mesmo de eu saber
quem era eu.



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