Eu tenho onze anos e não entendo muito de dinheiro.
Só sei que ele parece morar em lugares onde eu nunca entrei.
Todo dia, quando passo pela avenida, vejo lojas cheias de coisas que eu queria ter. Tênis bonitos, celulares, brinquedos. Às vezes fico olhando pela vitrine até minha mãe chamar.
— Vamos, filho.
Eu vou.
Lá em casa, a gente faz conta até para comprar o pão. Minha mãe fala que esse mês apertou de novo. Eu não sei exatamente o que isso significa, mas sei que quando ela fala, fica olhando para o dinheiro por bastante tempo.
Na escola, alguns meninos contam o que ganharam no aniversário.
Eu fico quieto.
Não porque não tenho nada para contar.
É que meu presente foi continuar indo para a escola com o mesmo tênis do ano passado.
Aqui na favela, criança aprende cedo que algumas coisas custam caro demais. Às vezes não é só brinquedo. É comida, remédio, tempo, descanso.
Eu ainda tenho onze anos.
Mas parece que o dinheiro decidiu que eu precisava crescer antes da hora.
E o pior é ver que, para algumas pessoas, tudo isso é só um preço.
Para mim, é a minha infância.
“Feito por lorena pires.”
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Autor:
pires lorena (
Offline) - Publicado: 7 de setembro de 2026 01:32
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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