As Duplicatas

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Eu encontrara a minha irmã caçula afundada numa banheira ensanguentada, com os olhos inchados e cinzentos. Ela não respirava. 
Não deu tempo; os estúpidos não estancaram.
Os nossos segredos morreram com ela. Os nossos vizinhos procuram como cães farejando, famintos com ambição por perguntas sem respostas.
Eu carrego o fardo e o aperto comigo. A mamãe sabe. 
Ela nos salvou ou nos aprisionou?
Ela nos ajudou ou de novo piorou? 

Cecília não teria feito isso. Nós também não teríamos.

Em um dia que estava mais próximo do baile, ela nos encobriu como sacos florais e com xale. 

Mas nós estávamos fora de casa. Eu nunca me senti tão feliz na vida. Eu dancei, beijei, e finalmente fui jovem. Meu coração gelou, palpitou tanto que meus ouvidos latejaram. Era tudo sobre eu e ele.

Ele me viu,

me compreendeu,

E me deixou.

Eu acordei numa madrugada silenciosa, ele foi para casa sozinho. Eu voltei com os pés descalços e sujos. Fomos punidas.

Ficamos presas no mesmo ciclo. Castigadas a seguir uma rotina programada.

O que ela esperava que nós fizéssemos? Mas e eles?

Não faz mais sentido. Somos um único organismo fugitivo.

Os nossos inimigos sabiam que era o nosso destino.

  • Autor: Beatriz Cavallero (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 6 de setembro de 2026 02:04
  • Comentário do autor sobre o poema: Esta obra contém descrições poéticas de violência e luto. Baseado na atmosfera melancólica de “As Virgens Suicidas”.
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


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