Memórias póstumas e sua beleza

Miguel Espinoso

Tempo que foi, não volta. Tempo que vem, mas que nunca chega.
Tempo que tudo leva e nada deixa; nada além de memórias póstumas e sua beleza. Tarde demais nos ensinou a amar, tarde demais nos ensinou a aproveitar.

Segundos parecem tão pouco, mas daria algumas décadas para ter de volta um segundo do seu riso. Lembro do gosto do seu bolo de trigo. Fui a um excêntrico chef em Paris, mas ele não conseguiu replicar o gosto daquele bolo.

Talvez não se trate de gastronomia. Talvez sejam suas mãos, mágicas e cheias de amor. Seja o que for, nada me trará novamente aquele sabor. Tentei ir a um show de humor, mas nem mesmo a melhor piada já contada me faria rir como você me fez.

Talvez, um dia, eu ame, delire de amor e escreva versos apaixonados.

Mas nenhuma amante poderá me presentear com os seus cuidados. O seu colo era um lugar sagrado, onde, em questão de segundos, o homem virava outra vez menino. Sinto falta daquilo.

Ah, tantas palavras que gostaria de ter dito, mas que hoje são só versos escritos; doce delírio da eternidade, em que, mais uma vez, encontrarei seu riso, em que, de novo, teremos aquela tarde com café e bolos de trigo, onde serei, novamente, o teu menino.

Teu doce e distraído menino.

Amo-te. Sonho que saiba.

  • Autor: Miguel Espinoso (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de setembro de 2026 20:13
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
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