Pés badalados

Tiago Santos

Já foste faz tempo, nem sequer a vejo no horizonte. Teus pés iam a badaladas, como sinos que anunciam uma tragédia. Não estou nos escombros, apenas na saudade que me apertara o peito e bambiara as pernas. Mas sigo reto, em direção oposta, pois faz tempo que linhas retas não se cruzam, apenas em metáforas intocadas. Com diferença no tempo, cada um a seu compasso. Estranhos, não posso afirmar, mas desconhecidos da música que em cada um toca, pois juntos nunca podemos dançar. Uma diferença melódica saliente, que cabe escutar em singular. Porém, já fomos acorde; hoje somos nota. Que teus pés badalados marquem o tempo, enquanto a música para de tocar.
  • Autor: Tiago Santos (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de agosto de 2026 12:27
  • Comentário do autor sobre o poema: Ate logo pés badalados
  • Categoria: Amizade
  • Visualizações: 1
  • Em coleções: Adeus.


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