Poema I

IF

Amor
Amar
Quando soltaram a fera?
Quando sangrar tornou-se meio e não fim?
Céus! Quando sangro estou no meio ou no fim?
Tão quente, tão fluido
Ao fim coagulo?
Ao fim permaneço?

Amar? Amor?
Não amei vc
Não amei nem a mim
Sangrei sem saber, sangrei sem querer
Sangrei e sangrei
Tanto, tanto sangue
E ainda assim não chegou ao fim

Não era amor, mas ainda assim dor
Localizada, intensa, irradiada, ousada
Sem fatores de melhora, com pitadas de vilania, com duração descontrolada e evolução desinibida
Vc foi a dor mais covarde, mais doentia
Foi a dor que permanece, sem amor, sem valor, sem serventia

Não sei como dói tanto
Não lembro de muito além da sobrecarga da mente, da ansiedade constante, da súbita náusea, das incessantes tentativas
As memórias são nebulosas, minha presença foi sua mais-valia
Vc era pra ter sido momento de respiro, fluidez da alma, o calor do sol
Mas foi uma infecção, um trauma, um tumor, uma idealização
Não consegui por meses tocar na ferida

Por fim, senti mais que meu sangue rolando em agonia
Senti
Gélido, tortuoso, traumatizado, manipulador
Medo
Não era meu...

O engraçado é que fui marcada em brasa como fria
Quando a minha mente sangrava toda vez que meu coração batia

Tanto, tanto sangue e ainda assim não cheguei ao fim
A verdade é que quando sangro, não sangro pelo fim, sangro pelo meio, como justificar o meio?
Sangro por mim

  • Autor: IF (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de agosto de 2026 19:55
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4


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