O peão e o baralho

Eric

Em um jogo de cartas de baralho,
Estava ela diante do mundo.
Ria e confraternizava com multidões,
Mas para mim o olhar era distinto


Não via seu rosto, apenas seu cabelo
Claramente um olhar vindo de costas,
Um eloquente olhar que eu não sou do mundo,
De que não pertenço à multidão
De alguém que só recebia pós de bolacha,
Enquanto a multidão ganhava a dádiva do banquete.

Na contemplação do seu olhar de costas
Eu, perante os pós de bolacha
Detinha a cidadania estrangeira
Vivenciava o meu grande exílio 

Uma pertubadora epifania emergiu 
Entendi que não pertencia ao baralho dela
Não era uma carta de paus, nem copas
Tampouco era carta de espadas, nem de ouros

Meu lugar era no universo de Caíssa
Era o peão de c5 da Benoni
Sacrificado sem uma clara compensação 
Pairado um mar de dúvidas 
E agora, o que o destino me reserva? 

  • Autor: Mohammed (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de agosto de 2026 03:18
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: Espólios Póstumos.


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