A VOZ

Pedro091

         Sentado em um sofá, a deriva de tudo e de todos. Pensando, o que eu deveria estar fazendo? Em um leve súbito de clareza, me vem à mente memorias de uma vida passada e cheia de alegria. Um sorriso brota em meu rosto magro e desvaído, se entregando a voz saliente que ganha espaço cada vez mais e mais.

         Devo ignorar uma voz que me trás bons devaneios? Devo ignorar a fonte do meu sorriso? Tantas perguntas, um tamanho abismo para pular, uma grande neblina que perde o meu ser no mundo. E a voz que grita o meu nome e me faz lembrar da minha felicidade, do campo verde e florido, ensolarado que tanto me aguarda... a única coisa que pedes em troca é o tempo que já tem, mas pela educação, pedes como uma criança pede um doce ao pai, com jeitinho e sem maldade.

         Ah, vida maravilhosa, que a todo instante não desiste dos tamanhos planos impostos sobre tal humano miserável! Que educa até mesmo o ser mais desobediente e ensina o mais teimoso.

         Só te peço que não me deixes voltar para a lição da tristeza que tanto me tem e tanto me ensina a valorizar sua parceira, aquela cujo nome é felicidade.

         Que voz memorável e aguda de se ouvir, que alegra o meu coração e torce pelo melhor do ser que tanto atenta, que brinca e segura na mão, dando coragem e força, sendo verdadeira e calma. Me leva e não deixes voltar, me leva ou leva pelo menos um átomo de meu corpo pálido e medroso, eu já estou inebriado por ti.

  • Autor: 091 (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de agosto de 2026 09:10
  • Comentário do autor sobre o poema: Ponho a imagem de uma árvore para assim lembrar da felicidade que é encontrar uma boa sombra.
  • Categoria: Carta
  • Visualizações: 2


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.