Primeiro, tenho tentado entender quem morreu.
Todas essas antigas músicas, sabores e lugares
A quem tudo isso pertencia?
Quem eu era, antes de morrer
Olhando pra trás, não consigo deixar de notar a característica mais comum das minhas experiências
Amor
Eu era amor, repleta de amor, sentindo e entregando
Sempre externando isto em forma de arte
Eu era arte, muito além do amor
Quando eu estava com raiva, triste, ansiosa
Tudo era arte e amar era arte também
Hoje, o que é arte pra mim?
Eu admiro, e me sinto incapaz de viver sem admirar, vários artistas
Desde cantores, compositores, dançarinos, escritores, pintores e desenhistas
E nessa lista, já não me incluo
Não que eu não me aprecie, mas já não sou artista
Percebo que essa é a Eu que morreu.
Uma morte muito pior daqueles artistas na minha lista que já não vivem
Uma morte sem legado, sem lembrança
Destinada a inexistência
Referenciada por um dos meus artistas favoritos, Martha Graham, uma bailarina americana uma vez disse:
"Um dançarino morre duas vezes — uma quando para de dançar, e esta primeira é a morte mais dolorosa"
E como a dança era a forma de Martha de expressar sua arte, percebo a condição que ela expressava nessa frase, pois entendo como deve ter sido doloroso, de mais de uma forma, ficar presa num corpo onde suas articulações, cartilagens, músculos e ossos não conseguem expressar sua arte da forma o qual faziam tão livre e deslumbrante
Vendo desse jeito, a dor dela excede qualquer experiência que eu, com meus 23 anos, possa ter vivido, então passarei longe de comparações
Mas as vezes me sinto como Martha Graham.
Presa em um corpo, uma mente que ja escreveu, desenhou e cantou coisas lindas, mas que hoje só pode apreciar a liberdade de um artista
E eu falo "lindas" como um elogio saudosista
Pois de fato, nunca vivi algo perto do meu auge potencial de artista, em qualquer linguagem que fosse
Quando eu era essa pessoa, algo sempre me puxava e me impedia de terminar uma música, um conjunto de poemas, uma melodia completa, um desenho
Eu não sabia o que era, mas hoje penso que talvez fosse o princípio da minha morte
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Autor:
Samantha West (
Offline) - Publicado: 27 de agosto de 2026 00:03
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
- Em coleções: Quando foi que eu Morri?.

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