Ao passar junto ao Douro

Ricardo Maria Louro



Ao passar junto ao Douro
onde a vida se murmura
vejo um rio feito em ouro
num Luar que esbate e dura.

 

A tua tez de aguarela,
poesias iguais às minhas,
são as encostas mais belas
que na verdade já tinhas!

 

Vi-me nelas como espelho
procurando um sentido:
de novo se vai a velho
verdadeiro mas vencido!

 

Que fulgor no teu rosto
procurando chegar ao mar
tal qual um Sol Posto
pronto a nos embriagar.

 

Que buscas? Que embalas?
Encostas verdes tão belas!
Palavras doces que calas,
segredos grandes que velas!

 

Leva, Douro, em meu nome,
imponente, até ao mar,
est'Alma que me consome,
e teima em não se calar...

 

Ricardo Maria Louro 
Junto ao Rio Douro

(Versos a uma das mais belas e sanguineas veias de Portugal - o Rio Douro.)



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