Na praça onde o conceito é um rascunho mudo,
alguém acende a fumaça de algum verbo febril.
O povo não quer a geometria, sabedoria ou alguma regra do mundo,
quer o estandarte que fira o céu de anil.
Nenhum Sócrates ergueu um império de giz
sem que o sangue da crença banhasse o altar.
A ideia é uma preposição que dorme na raiz,
o grito é a onda que força o mar a marchar.
Se a verdade pura é um astro sem calor
que a terra fria recusa em seu giro,
para que gastar o cinzel do pensamento e a dor
na meia forma que não é nem brasa nem suspiro?
Melhor que a ciência que não comove ninguém!
Seja a arte inteira, que sangra ao nascer,
um verso que valha por tudo o que o homem tem
quando decide o que quer crer e perecer.
E quando a tese finalmente se cala e o raciocínio expira,
sobra apenas o acorde que a alma adivinha,
o som que exprime e cria a harmonia para uma melodia,
a música, essa soberana e cega mentira
onde no mais profundo e subsolo da vida,
em silêncio conforta e se alinha...
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Autor:
Ana Gonçalves (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 21 de agosto de 2026 00:35
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2

Offline)
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